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domingo, 3 de junho de 2012

Assuntos da mesma temática [Clara Novais] #3.2

Eu havia nomeado meu último post como 3.1 para que este  fosse o 3.2 após encontro, uma vez que eu estava bastante perdida e um pouco desesperada.  Entrego aqui, então, o complemento do meu terceiro post.

Esta semana trabalhei com a abordagem feita pelos cadernos EM Cultura e Ilustrada para assuntos de mesma temática.

Shows

Show do Bob Dylan

Bob Dylan se apresentou em abril deste ano em diversas cidades brasileiras.

O Ilustrada fez a cobertura do show de São Paulo de uma maneira nada convencional:
Uma história em quadrinho de Rafael Grampá tomou mais da metade da página. Frases com formato de narrativa descreviam aspectos da apresentação: como a cor das luzes do palco, músicas que mais chamaram a atenção e a voz do cantor.

Em seguida, a crítica, como definido pelo jornal, foi feita em forma de carta ao cantor. O jornalista Ivan Finotti escreve diretamente para o artista em um tom bastante informal. Incluindo gírias, perguntas e até mesmo símbolos gráficos como o sorriso  e o coração utilizados digitalmente ( :D; <3 ). Ele até se arrisca em pedir ao cantor para que grave um disco com as músicas da apresentação.

Apesar de direcionada ao artista, a mensagem acaba por nos descrever como foi a apresentação. Quais músicas levantaram mais o público, quais o critico musical não gosta muito e como Bob Dylan dançou, mandou beijinho para a platéia no final e fez versões ainda melhores de suas músicas antigas.

Quase entrei em desespero quando não encontrava nada sobre o show do Bob Dylan no EM Cultura.

Finalmente encontrei o colunista de sexta-feira, Arnaldo Viana, em uma crônica em que apresentava dois amigos tentando comprar ingressos para o show com cambistas, praticamente um jornalismo gonzo.

O show de Dylan foi outra vez tema no dia de sua apresentação, em que Thais Pacheco tratava da dificuldade em se conseguir ingressos para o show, as expectativas de alguns fãs específicos em relação ao show e casos de outros que já foram em shows do cantor em outras situações.

Folheei diversas edições do jornal e me utilizei da busca EM de conteúdo do jornal impresso e não encontrei uma crítica sobre o show em si. Nem o de Belo Horizonte, nem os de outras cidades. O que foi uma decepção. Como um cantor de renome internacional, que sua estadia foi temática até mesmo para outros cadernos, não teve seu show abordado nas páginas impressas do Jornal Estado de Minas?

Em suma: O caderno Ilustrada deu chamada de capa para a apresentação do cantor internacional Bob Dylan e retratou seu show por meio de quadrinhos e carta informal. Já o caderno Estado de Minas só tratou dos preparativos para o show, não cobriu a apresentação (na versão digital do caderno Divirta-se tem uma cobertura, mas nada no impresso).

Festival Lollapalooza


Já o Festival Lollapalooza, que ocorreu em São Paulo nos dias 7 e 8 de abril ganhou cobertura de ambos os cadernos. 

Para o EM Cultura, Mariana Peixoto descreveu o sucesso do festival em quase uma página inteira na segunda-feira após o festival. De maneira convencional, ressaltou como a banda Foo Fighters foi a principal atração e fez comentários aos shows que mais lhe agradaram. Em outra parte do texto, ela narra o comportamento do público e como os dias de festival estavam quentes. Há ainda uma parte em que compara esta edição - a primeira no Brasil - com as que já aconteceram em outras partes do mundo. Fotos foram utilizadas para ilustrar o show do Foo Fighters e da Joan Jett, considerados de maior impacto pela jornalista. 

No Ilustrada, a cobertura foi ainda maior. Foi matéria de capa, na capa, do caderno já um dia após o festival. Thales de Menezes apontou um quadro com erros e acertos do festival ao lado de um texto em que dizia que o Lollapalooza estreiava no país com mais acertos que erros, dissertava sobre tál situação e abordava diversos aspectos do evento (alimentação, infraestura e line up eclético), ao mesmo tempo que o comparava com outros festivai já realizados no Brasil, SWU, Rock N Rio e Planeta Terra .O mesmo jornalista, em conjunto com Rodrigo Levino, deram enfase aos shows da banda inglesa Arctic Monkeys e da nacional Racionais, diferentemente da jornalista mineira.  

Houve ainda uma sessão - nomeada Lolla lá - em que o jornalista ressaltava outros aspectos do festival, como a lotação do metro, as filas bem organizadas e preços de ingressos por cambistas. No topo, uma foto grande do público que estava na grade de uma das apresentações e dividindo as sessões, fotos de artistas que se apresentaram e do criador do festival.

Resumindo: Ambos os cadernos tiveram uma cobertura convencional do festival. O Ilustrada abrangeu mais aspectos que o Em Cultura, o que se esperava, uma vez que o festival ocorreu em São Paulo. Fotografias foram apenas ilustrativas e o Ilustrada deu capa para o tema.

Novelas

No quesito novelas decidi por ver a abordagem dos cadernos em relação à estréias. 

Avenida Brasil

O Ilustrada entrevistou o ator da novela no início do mês de sua estréia - a novela estreou em 26 de março - em matéria na capa do caderno que ressaltava o fato da mocinha de Avenida Brasil ter perfil de anti-heroína.  Na entrevista, o autor diz que sempre quis torcer pelo bandido, o por isso de sua personagem ter essa característica. Ele ainda apresenta a temática da novela, seu surgimento, suas influências e fala de sua experiência como autor de novelas e de como vê a dramaturgia brasileira.

Na mesma matéria, outra coluna trata dos atores que interpretam jogadores de futebol. O autor conta que gosta do esporte, mas não entende muito e que o escolheu como fator de ascensão social, tema bastante trabalhado na novela.  Há ainda uma descrição de como foi feito o laboratório dos atores que são personagens jogadores.

Retomando o fator diferencial da novela, que é a mocinha ser uma anti-heroína, a Folha ilustrou a matéria com foto-caricaturas (cabeça foto e corpo desenho) de grandes vilões da dramaturgia da Rede Globo.

Outras notícias relacionadas ao tema saíram no jornal ao longo do mês. O fato da Rede Globo estar focando na classe C, que uma versão "limpinha" - como definido pelo jornal - da música "danza kuduro" seria tema da novela e a primeira participação da atriz Fabíula do Nascimento (já bastante conhecida no cinema).  Ainda, na coluna "Outro Canal" de Keila Gimenez, tratou-se de alguns fatos da produção da novela e, após sua estréia, seus índices de audiência e comentários sobre os bastidores, como usual em relação a grande parte dos programas de televisão brasileiros de grande público.

O EM Cultura conta com o caderno TV aos domingos para tratar das novelas.  No domingo anterior à estréia da novela, o personagem Tufão de Murílo Benício, foi capa de tál. Nas duas páginas do centro do caderno foi feita uma apresentação da novela. A matéria começa narrando a história inicial da novela, depois trata de algumas gravações feitas em Urberlândia e Argentina - fora do eixo Rio-São Paulo em que se dá a maioria das produções da Globo - e, em seguida, a festa de lançamento da novela no baile funk "A Favorita" na Rocinha ganhou destaque. Em seguida, apresentou-se os personagens principais da trama e os descreveu.

O caderno tomou como temática principal da novela o futebol, uma vez que a matéria chamava "Entrando em Campo" e uma das suas colunas, em que se falava do Murílo Benício na festa, levou o nome de "O Craque".

O EM Cultura também tratou da estréia da novela em outras ocasiões, falando da classe C, como a Folha, e na sessão Caras e Bocas de fofocas sobre os preparativos para a novela.

Diferentemente da Ilustrada, o Em Cultura escreveu sobre a repercussão do primeiro capítulo o comentou em um texto fora de suas sessões usuais.

Assim: O Ilustrada deu destaque maior para a estréia da novela já quase um mês antes de sua estréia, o EM Cultura só o fez um dia antes da estréia. Ambos lançaram pequenas notícias em relação aos preparativos da novela e trataram do fato da Globo estar se voltando para a Classe C. Fotos foram recursos ilustrativos e o folha de São Paulo ainda contou com caricaturas de personagens de outras novelas para tratar do tema vilões. Apenas o Estado de Minas comentou sobre o capítulo de estréia da novela

Carrossel


A novelinha infantil não ganhou tanto destaque no Ilustrada. Algumas notícias enquanto a novela ainda estava sendo elaborada, como a possível participação da Professora Helena original - a novela é um remake do sucesso mexicano dos anos 1990 - na novela e o atraso da produção em alguns aspectos.

No dia de sua estréia, 21 de maio, ganhou um pequeno destaque na página "Televisão". Um pequeno resumo da novela foi apresentado, seu horário e o fato de seu roteiro ser produzido pela filha do Silvio Santos, Iris Abravanel.

Seu sucesso já na estréia e o aumento crescente do seu ibope - surpreendente até mesmo para a emissora - só é tratado pelo "Outro Canal", com pouco destaque.

Já o EM Cultura deu bastante atenção à nova produção do SBT. Diversas notícias referentes aos preparativos da novela foram publicadas com certo destaque. Sua estréia foi capa do TV no dia anterior e nas páginas centrais do caderno apresentaram o enredo da novela e os poucos aspectos em que ela se diferencia da versão mexicana. Havia ainda três perguntas feitas para a autora do remake, a intenção da novela de reunir toda a família e como foi trabalhada para isso e os cuidados que são tomados com as crianças.

Na semana seguinte a sua estréia, a novela foi tema da coluna de Simone Castro, que a elogiou bastante comentou o índice alto de audiência na semana de estréia. Uma semana depois, duas semanas pós estréia, Carrossel foi capa do TV novamente, com o título "Na medida certa", em que destacava o sucesso da novelinha. No interior do caderno, uma entrevista com a atriz Rosane Mulholland que interpreta a Professora Helena, em que fala de seus trabalhos anteriores e de como ficou surpresa com o sucesso da produção.

Em suma: Nem mesmo o sucesso surpreendente da novela foi motivo para a Folha dar grande destaque a ela. Já a produção global foi bastante abordada, principalmente antes de sua estréia. O Estado de Minas parece ter um tratamento indiferenciado para a estréia de novelas. O acompanho e noto que as novelas sempre são capas do TV na semana de seu lançamento -  não só as produções da Rede Globo e do SBT, as da BAND e da Record também - e são tratadas em duas páginas no interior do caderno. O EM cultura tem dado ressaltado bastante o sucesso do remake. Fotos são apenas recursos de ilustração.

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sexta-feira, 1 de junho de 2012

O programa com tudo isso e nenhum diploma de jornalista - [Débora Vieira] #3

Nas últimas semanas vi mais 14 programas do Furo MTV em 2010 para entender as mudanças a que ele foi submetido ao longo dos anos. Mas a minha análise mais crítica sobre o programa será realizada na última postagem. Nesta eu gostaria de mostrar técnicas que o Furo MTV utiliza que são semelhantes a técnicas jornalísticas utilizadas em telejornais.

Da mesma forma que os âncoras de telejornais, Dani Calabresa e Bento Ribeiro, manchetam as principais notícias que serão apresentadas. Abaixo eu coloco um vídeo do Jornal Nacional e do Furo que ilustra esse fato.


Outra característica do Furo que se assemelha ao jornalismo é a divisão por editorias, ou seja, temas mais abrangentes que caracterizam a abordagem da matéria, como Política, Cotidiano, Celebridades, Saúde e etc. No FURO MTV antes de dar as notícias os apresentadores falam o nome da editoria, o que já é um pouco diferente dos telejornais, no qual os âncoras não fazem isso, mas no jornal impresso, por exemplo, os cadernos são divididos por editoria. Além disso, o Furo faz adaptações as editorias tradicionais (política, nacional, saúde, economia, cultura), eles sempre "criam" editorias mais específicas como Eleições 2010, celebridades, Rio de Janeiro, São Paulo.

Ao longo de 2010 o Furo MTV começou a utilizar em suas matérias uma mesma técnica utilizada em telejornais. Ao exibir a matéria é apresentado uma "chamadinha" em texto que aparece na tela como um resumo da notícia.

Abaixo um vídeo da TV alterosa e do Furo MTV que ilustram isso.





O tempo todo o Furo MTV se utiliza desses elementos do jornalismo aos quais as pessoas já estão acostumadas para dar legitimidade ao seu formato, que se propõe a parodiar um telejornal e a contar piadas a partir de fatos do dia que foram notícias em outros jornais. Portanto, ao usar elementos do jornalismo o Furo se assemelha ao mesmo, mas ao fazer adaptações eles transformam o que já é comum e tradicional do jornalismo em uma peculiaridade do Programa.

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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Violência, uma temática recorrente [Mariana Moraes] #3

20030127-sabotage-blog

Como ficou perceptível em minha última postagem, quase sempre o rap apresenta em suas letras a violência nua e crua das periferias, em alguns casos muitas dessas músicas acabam fazendo apologia à violência; esse foi um dos fatores que me levou a destinar essa quinzena à analise dessa relação entre o rap, a violência e a mídia.

Outro fator que me levou a esse tópico, foram casos como o do rapper Sabotage. Descoberto pelo Racionais MC’s ele tinha um carreira extremamente promissora no rap nacional, suas músicas abordavam temas como violência policial, miséria, drogas e a favela, assuntos que fizeram parte de sua adolescência – nasceu e morou em favelas, foi interno da FEBEM e traficante. Tentando se afastar da guerra entre quadrilhas pelo comando do tráfico, Sabotage até mudou-se, no entanto, do dia 24 de janeiro de 2003 ele foi morto em seu carro.

Nessa quinzena eu encontrei uma transcrição de uma apresentação da Isabelle Sounier no site do SESC-SP, a partir dela e de outras pesquisas percebi algo bem óbvio na verdade; as letras da maioria dos raps brasileiros tratam de violência, porque o rap é uma forma de expressão das camadas mais humildes, camadas essas que estão super expostas a todo tipo de violência e humilhação. É uma forma de narrar o que acontece todos os dias onde eles vivem, de divulgar sua história de vida ou até mesmo de reagir à violência que estão expostos. Minha postagem anterior apresentou diversos casos em que músicas com teor violento foram censuradas, talvez isso seja apenas um reflexo da alienação dos mais ricos, que se protegem atrás de mecanismos que os impedem de conhecer uma realidade tão distante das suas. Talvez seja só uma forma do poder público esconder o que acontece de fato nas periferias e favelas do Brasil. Infelizmente são diversos os casos que terminam como a história do Sabotage, mas isso não deveria destinar o rap à marginalidade e criminalidade como muitos o fazem.

Fontes: Portal SESC, Cultura Hip Hop, Wikipédia.     

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terça-feira, 29 de maio de 2012

Tiop açim, comofas1?!/ [Daniella Rodrigues] #3

Quando me propus a estudar os memes relacionado a frases que se tornaram gírias e/ou mudaram o jeito do internauta escrever na Internet não pensei, de início, que teria dificuldades. Só no final da semana passada que vi que, apesar de ter todos os exemplos na cabeça, os sites e livros que eu pensei que iriam me ajudar não serviram muito bem para o que eu almejava analisar.

Por um milagre, no domingo eu encontrei um site, o youpix, que salvou a minha vida! E, para completar, encontrei um TCC sobre “Tiopês”, que ainda não terminei de ler.
Mas, afinal, o que é o “Tiopês”? Bem, quando decidi procurar sobre memes relacionados a escrita e a fala, uma das coisas que eu mais me perguntava era: Porque as pessoas insistem em escrever tão errado na Internet?! Não um errado de trocar “mais” com “mas”, mas sim de escrever em vez de “tenso!”, “temço1!'”. De onde veio esse modismo?!

O “tiopês” é nada menos que um idioma surgido na internet no qual você tem que escrever tudo errado.  Mas, como já disse, o errado vai além de simplesmente desrespeitar a gramática: é preciso escrever do modo mais grosseiro, tosco, ininteligível possível!
Exemplo de Tiopês em tirinha
Exemplo de situação que se encontra escrita em Tiopês

ORIGEM: O primeiro registro de estilo do tiopês encontrado é do dia 4 de dezembro de 2004 e foi feito pelo usuário Misto Eleazar, no Orkut.



Por volta de 2006, surgiu o tiopês oficialmente: Todas os indícios levam à figura de Ale  [Alessandro] Crescini, um usuário do Orkut que ficou muito popular devido à sua forma peculiar de escrita. Além de cometer alguns erros ao usar o  teclado, Ale não tinha um bom domínio da gramática. Algumas pessoas, então, começaram a imitar o seu modo de escrita, trocando mensagens com pequenos erros, não apenas com Ale, mas entre si. Interessante falar que o próprio nome TIOPÊS vem da palavra “tipo” escrita errada “tiop“.

Inicialmente, os internautas extrapolaram e começaram a trocar mensagens umas com as outras no próprio scrapbook de Ale,  o que resultou em um verdadeiro chat. Depois, o próprio Ale criou uma comunidade chamada “Ale 100% amizade e cupido‖”, na qual estas pessoas continuavam a se comunicar.

A primeira comunidade a falar do tiopês diretamente foi a Tiopês – A Revolução, que era uma verdadeiro manual do dialeto e trazia toda  a história da língua e um comofas intensivo pra ensinar todo mundo a falar! Mais de 8 mil pessoas já passaram por ela!



Entretendo, como foi dito pelos blogueiros do Teletube, site que falava sobre o universo de  games, ícones da cultura  pop, televisão e séries, narrado em textos marcados por expressões do tiopês – hoje já está fora do ar –  “o tiopês pode ser considerado uma linguagem caricatural, crítica e bem-humorada a respeito do analfabetismo funcional brasileiro, que é um dos maiores do mundo” e que, pra falar um bom tiopês, você precisa saber muito bem português, já que os erros tem que estar acertadamente nos lugares certos!

Hoje, é bem difícil ver alguém escrevendo em “tiopês puro” na internet. Mas a herança que a língua deixou na web é inegável, já que ela é a origem de vários memes que a gente usa atualmente, como por exemplo:corrão, fikdik, não tá fácio, comofas e por aí vai.

Se vose ficol intereçado neçe estranio dialeto -n deishe de conferir:tiopes translate
nova gramatica

E curtir:
mil graudivas
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O Pasquim [Isabella Lucas] #3


O ano é 1969, seis meses depois da promulgação do Ato Institucional nº5, em dezembro de 1968. Enquanto a imprensa tremia em suas bases, jornais ameaçavam fechar as portas e artistas 'sambavam' para continuar suas críticas políticas sem serem presos pelo regime, nasce no Rio de Janeiro o mais insano e brilhante periódico de crítica de costumes que a cidade já vira. Nas palavras do próprio Claudius (co-fundador do jornal): "Estávamos no ano de 1969, em plena vigência do AI 5, que havia suspenso todos os direitos das pessoas e se poderia torturar, matar que ninguém ficaria sabendo.É nesse clima que um bando de malucos decide fazer um jornal de oposição" (documentário O Pasquim: A revolução pelo cartum, 1999).


Dentre esses 'malucos' estavam Millôr Fernandes,Jaguar, Ziraldo, Sérgio Cabral, Luiz Carlos Maciel, Marta Alencar, Miguel Paiva, Claudius, Sérgio Augusto, Reinaldo, Hubert e Henfil. A 'patota', como era chamada a redação d' O Pasquim, discutia - com altas doses de humor e irreverência -  sobre assuntos do cotidiano: drogas, feminismo, sexo, futebol, divórcio, bossa nova, cinema e muitos outros assuntos recorrentes à época. Com o passar do tempo, a linha editorial se aproximou mas da crítica política, alcançando quase simultaneamente seu ápice e sua decadência. O jornal produzia críticas sagazes através do humor inteligente - tudo nas entrelinhas, mas a censura prévia foi instituída e começaram as perseguições. 


O Pasquim influenciou toda a imprensa da época, ao propor uma nova forma de se fazer jornalismo (que incluia o uso da oralidade, por exemplo). Como diria Jaguar, a imprensa tirou o terno e a gravata, e passou a escrever na língua do povo. "O Pasquim modificou a visão da imprensa naquele momento. Foi uma coisa que estourou na cara do Brasil com extrema simpatia", ressalta Millôr. A patota tanto incomodou ao regime militar que foi vítima de um atentado: uma bomba foi colocada dentro da redação, e só não explodiu por defeito. Em 1970, quase todos os redatores e editores foram presos (o que se repetiu nos anos seguintes), mas o jornal não deixou de circular: Millôr assumiu a editoria, contando com a colaboração de Chico Buarque, Antônio Callado e outros intelectuais cariocas. 

Nota: continua no próximo post. Como era impossível analisar sem antes situar, esse foi mais descritivo. Pretendo ser mais analítica no próximo. 
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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Invertendo: O Marketing Influenciando a Cultura [Filipe Mendonça] #3

Depois de mostrar e analisar alguns exemplos de influência da cultura no marketing, agora vou focar no caso oposto: a influência do marketing em uma cultura. Essa é a chamada globalização em ação: ainda que tenham que se adaptar às culturas, as multinacionais têm também suas próprias ideologias, que vendem junto com seus produtos.

 Vamos usar de novo a Coca-Cola como exemplo, uma vez que parte de sua história já foi contada no primeiro post e, dessa forma, fica fácil enxergar o contexto. Em suas propagandas, a Coca-Cola sempre aparecia sendo tomada direto da garrafa - até então considerado um ato de má-educação pelos brasileiros - o que, com o tempo, levou os brasileiros a quebrarem esse paradigma e adotarem o "estilo Coca-Cola". Entre 1957 e 1965 a Coca se tornou a bebida favorita dos brasileiros e presença constante em festas, inclusive no Carnaval, que em 57 premiou premiou a escola que apresentou o melhor desfile e samba tendo como tema a bebida. Além disso, a influência da marca se tornou tão forte com o passar dos anos que foi citada até na música brasileira, e ainda por cima para se referir a uma geração inteira (música "Geração Coca-Cola" da Legião Urbana).

Também existem exemplos mais simples, que chegam até a passar despercebidos. É normal vermos pessoas chamarem, por exemplo, achocolatado em pó simplesmente de Toddy (mesmo que aquela não fosse a marca do achocolatado em questão), ou palha de aço de Bombril, etc. Isso mostra como uma marca pode influenciar até no modo das pessoas falarem ou nomearem algo. É não só o domínio de uma marca no mercado como também a sua constante presença na mídia, reforçando a ideia de que tal marca é sinônimo de tal produto por ser a melhor (mesmo que isso não fique tão claro na propaganda).





Fonte: Coca-Cola Brasil
           http://pt.shvoong.com/humanities/149724-… 
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A jovem contraditória de Gloss. [Karina Carvalho #3]


Capa Gloss Maio-2012
"Não fico sonhando. Faço as coisas por impulso, me jogo sem calcular os riscos." É com essa frase da atriz Nathalia Dill ilustra a capa de uma das revistas para público jovem-adulto feminino mais vendido no país!(Gloss de maio-2012).

Depois desta chamada, a leitora acha que vai se deparar com um espírito independente enorme dentro das páginas da revista, mas engana-se.
A escolha da atriz Nathalia Dill, obviamente, não se deu por acaso. Ela representa a It Girl que a Gloss vende: Bonita, jovem, bem sucedida, saudável, independente e destemida. Mas a própria atriz se rende às tendências e aos editoriais de moda.
A revista é muito voltada para o mundo fashion e deixa uma brecha para a leitora criar seu estilo, desde que ele já exista nas passarelas.

O discurso de independência das mulheres já estampou capas e foi tema de matérias de revistas femininas durante os anos de 1960/70. Com a ascensão das mulheres no mercado de trabalho e sua "independência", o conteúdo desse gênero sofreu algumas alterações ao longo dos anos, porém, ainda se assemelha a modelos de 50 anos atrás no que diz respeito à submissão ao homem e seu papel como mulher na concepção e organização familiar.

A revista Gloss estrutura-se de maneira bem contraditória. Enquanto a leitora se depara com editoriais de moda que lhes "ensina" como devem se vestir de acordo com as tendências das passarelas, nas páginas seguintes, ela dá de cara com uma reportagem que diz pra se libertar e seguir seu próprio estilo. E a contradição não para por aí. A mesma revista que mostra que uma mulher pode dominar uma relação (ainda que use de truques sexuais para isso), diz a ela como se comportar diante ao sexo oposto.

Os anúncios da revista são quase em sua totalidade sobre moda, maquiagens e viagens, o que define o perfil consumidor da leitora. O aconselhamento de problemas também é presente como uma forma de interatividade com a leitora. Essa imagem da mulher jovem, bonita, ativa, etc., vendida pela revista é um reflexo sim dos ideais da sociedade, mas, também são projeções fantasiosas. Cabe ao público-alvo ter o distanciamento crítico do que é um editorial de moda do que é a sua realidade.


O link do site da Gloss pra quem quiser folhear a revista:http://gloss.abril.com.br/folheie/
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A nova tipografia, terceiro período tipográfico [Tomás German] #3

Depois das tendencias renascentistas e agora num contexto pós revoluções industriais, as tendências artísticas do início do século XX estavam quase sempre ligadas a uma ideia de futuro. Vanguardas modernistas, como o cubismo, o construtivismo, o dadaísmo e o futurismo influenciavam muito na cultura da sociedade.
Não obstante a isso poderia ser as tendências tipográficas. Os tipógrafos tentavam fugir de normas antigas da simetria tradicional. Além disso, houve uma negação de tudo aquilo que estava a mais em uma peça tipográfica. Assim qualquer elemento decorativo presente em uma letra era considerado retrógrado e cafona. A justificativa a isso está no fato da sociedade estar cada vez mais influenciada pelo tempo da máquina e não mais pelas condições humanas, isso é a velocidade torna-se fator fundamental na vida das pessoas. Desse modo, era necessário que as informações fossem passadas sem muita interferência e de maneira cada vez mais objetiva. Os princípios de clareza e cor foram bastante estudados para que as mensagens fossem passadas de forma cada vez mais direta. Assim, as tipografias sem serifa e traços mais consistentes começaram a surgir. 
Tal período também foi marcado pela preocupação da composição dos elementos em uma página. Isso é, uma peça com muito texto, ou seja, cheia de preto, era vista de uma forma completamente diferente de uma que havia somente uma palavra. O papel fisiológico de cada cor também foi muito estudado. O vermelho toma maior destaque em uma peça e parece estar mais próximo de quem lê. O preto, ao contrário, é a cor que mais distancia do leitor, pelo fato de ser a mais profunda. E o branco, a cor que reflete todas as outras, é a cor que brilha. Assim se enquadram também outras cores, como o azul que assume o papel do preto, e o amarelo que assume papel do vermelho.
Essas tendencias foram agrupadas em um manual tipográfico que recebeu o nome de A nova tipografia (Die neue typographie) por Tschichold. Nele também era descrito a valorização das letras minúsculas que eram mais simples que as maiúscula e fora questionado a ordem de como as pessoas podem ler um texto. A tipografia, o tamanho dela e o destaque que ela recebe na página, poderia modificar a ordem tradicional do ocidente de ler da esquerda para direita, de cima para baixo.
O manual é influente até hoje, como podemos perceber na marca do Facebook, que presa pela simplicidade e objetividade, sem maiúscula, inclusive. Também notamos em várias publicações a modificação do estado padrão do título, por exemplo, e mesmo assim percebemos o que é título e o que é texto. As letras sem serifa e pouco ou nada decorativas continuam a representar modernidade, como percebemos no iPod.

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Seja Feliz! [Matheus Couto] #3


Na terceira quinzena li a obra “Ser feliz hoje: Reflexões sobre o imperativo da felicidade” do autor João Freire Filho. É o livro que mais gostei até agora, mas ele na verdade é uma coletânea de artigos tematizando a felicidade na sociedade ocidental, e dessa forma, há textos muito interessantes e outros nem tantos.
Na obra, Freire Filho busca tematizar sobre como se dão as representações, propostas e expectativas a respeito da conquista da felicidade no mundo contemporâneo. Há um foco relevante na tematização da revolução da felicidade proposta pela corrente da psicologia positiva.
No artigo do autor há diversas referências à produtos midiáticos como revistas, livros, programas de televisão e até aplicativos para celular que tematizam a questão da felicidade e a forma como podemos alcança-la: depende de você mesmo e mais ninguém.
Pretendo agora, buscar esses produtos que o autor faz referência e outros mais para analisa-los nas próximas quinzenas.
Para quem estiver interessado, esse livro também está disponível na biblioteca da FAFICH. Nº de chamada: 158 S481 2010
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Less is More [Idgie Pena] #3


O Minimalismo, tendência estudada durante a última quinzena, já se tornou um termo amplamente difundido, mesmo que às vezes não saibamos exatamente o que ele implica. Para desvendá-lo, li artigos nos blogs ChocolaDesign, Ctrl N e um artigo entitulado  The Different Elements that Bring Together Minimalistic Design”, no site Design Reviver. Os dois primeiros me serviram principalmente como repertório de peças – das tendências estudadas até agora, essa foi a que encontrei maior número de exemplos –, enquanto o terceiro foi ideal para definir as características do Minimalismo. O que observei na grande maioria das peças que vi foi quase que exatamente o que foi trazido pelo artigo, e por isso o tomarei como base para a enumeração de algumas características que constituem um design minimalista.
  • Tipografia simples e clara
Há um grande foco na legibilidade, de forma que tende-se a usar tipografias como a Blue Highway – quando é necessário uma mais espessa – ou a Roboto – quando se deseja uma de de menor espessura.
  • Background discreto
Quando o fundo não é chapado, as texturas e padrões utilizados não devem chamar mais atenção do que o conteúdo principal da peça.
  • Espaço em branco
Em todo design minimalista, o espaço vazio tem grande presença. Ele serve para deixar os elementos mais separados, ao mesmo tempo destacando-os.
  • Uso do Grid
Resumidamente, usar Grid significa diagramar os elementos tomando como base linhas-guia verticais e horizontais, o que demonstra uma preocupação muito grande com fatores como alinhamento, proporção, margem, etc.
Algumas peças para ilustração:

300
abba
dd
hidden
hidden1
ovo
treeson
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make area
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TJ
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fajne
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Michael, they don't care about us [Gabriela Bianchi] #3


Pude perceber nessa quinzena, que a formação da figura do ídolo está intrinsecamente ligada à presença do imaginário. As definições, assim, acerca da construção de um indivíduo como personalidade pública, são fruto de consensos sociais, que vêm da cultura, do imaginário coletivo, das representações, estereótipos e paradigmas criados por nós mesmos, que influenciam e regulam a forma de organização da vida em sociedade.

Dentro desse universo de crenças que guiam nossa construção de discurso e imaginário, é possível perceber a presença do discurso religioso nas construções sociais e culturais, assim como no estabelecimento das noções morais. Sendo assim, é possível notar que o imaginário da morte – guia principal do meu projeto – chega carregado de purificação, como que uma espécie de beatificação daquele que já se foi, não cabendo a nós, vivos, insultar ou maldizer os que já partiram.

É por isso que, por exemplo, antes da morte Michael Jackson, sua figura estava constantemente ligada a escândalos e polêmicas como pedofilia; e com sua morte, ocorre a revisão e ressignificação desse termo como Síndrome de Peter Pan. Esse é um claro exemplo de como rótulos variam de acordo com o momento do qual se fala, sempre em condições de produção determinadas.

Sendo assim, nesse caso, podemos perceber a mudança desses estereótipos de Michael, indicadores de uma personalidade discursiva, como aponta Hulda Oliveira e Elza Couto¹: o Michael Jackson que mudou de cor, pois não queria ser negro; o Michael Jackson que tinha vitiligo; o Michael Jackson que se desfigurou depois de tantas cirurgias plásticas para esconder as suas marcas étnico-fenotípicas; o Michael Jackson pedófilo; o Michael Jackson pai, que quase jogou o próprio filho pela janela; o Michael Jackson filho, traumatizado, vítima da criação do rígido pai; o Michael Jackson milionário; o Michael Jackson falido; o Michael Jackson que, na verdade, nunca foi pedófilo, mas que apenas sofria da chamada síndrome de Peter Pan etc.

Fica assim perceptível, como que o discurso midiático lida com a formação das celebridades. Desde sua construção, até sua desconstrução e reconstrução pelo fator da morte e mudança de discurso.



Para abranger a repercussão de sua morte na mídia, teria que me detalhar em como houve esse cobertura e a possível espetacularização. Contudo, para isso, me extenderia por mais muitos caracteres. Preferi nesse post me ater a esses detalhes mais técnicos e gostaria de saber a opinião de vocês: destrinchar mais um pouco o caso, analisando as abordagens midiáticas, ou partir para outra?


¹ Construção, desconstrução e reconstrução do ídolo: discurso, imaginário e mídia - OLIVEIRA, Hulda Gomides e COUTO Elza Kioko Nakayama Nenoki do.
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Obey the giant [Júlia Amaral] #3

Quando meu primo me convidou para um bate-papo com Shepard Fairey, quatro meses atrás, confesso que esse nome não carregava significado algum para mim. Somente quando descobri que tratava-se do criador do famoso cartaz azul e vermelho de Obama associei o nome à pessoa. O americano, natural da Carolina do Sul, que ficou famoso após a enorme repercussão de seus stickers de Andre The Giant, é também o responsável pelos adesivos do Occupy Wall Street. 


Ao longo da última semana, li entrevistas com Shepard Fairey e outros artistas, encontrei um filme produzido a partir da sua história de vida, assisti o documentário sobre grafitti "Bomb It" - que conta com a participação de Fairey -, pesquisei mais sobre o processo que ele está sofrendo (visto que no bate-papo com o artista ele não pode falar muito sobre o assunto, por questões judiciais), descobri que ele fez um clipe do Death Cab for Cutie e repassei o arquivo de imagens de Shepard.



Mas o que consumiu grande parte do meu tempo foi reler minhas anotações do bate-papo com Shepard Fairey, relembrar o conteúdo do livro Obey: Supply and demand, e tentar traçar um perfil do artista. Quando li a obra e descobri que os stickers de Andre The Giant eram apenas um trabalho de faculdade, questionei Shepard Fairey como artista de rua. Que tipo de artista cria uma ideologia depois que seu trabalho está disseminado, só para validá-lo? Como aceitar que alguém que faz arte urbana, que deveria criticar o sistema capitalista, capitalize a sua arte?

Ao ouvi-lo ao vivo no Dallas Contemporary, obtive respostas, e a imagem de uma pessoa contraditória, que eu tinha a respeito de Shepard Fairey, foi subtituída por um sentimento de admiração.
Bate-papo com Shepard Fairey no Dallas Contemporary

A campanha Obey the giant, que princípio não tinha proposta, ao não promover produto algum, transformou-se em uma crítica à "...indústria de persuasão através da qual aceitamos a promessa oca do que consumimos para definir quem somos..." (p.132) [1]. 

Shepard Fairey afirma que grafitti não gera dinheiro, só consome. Por esse motivo, ele acredita em direitos autorais e no lucro vindo do seu trabalho, o que me parece justo. O artista também defende a venda de produtos que financiam uma causa, pois alega que isso é mais interessante do que pedir que as pessoas doem dinheiro sem receber nada em troca, o que seria uma caridade motivada pela culpa. Assim como Banksy, Shepard Fairey critica a elitização da arte: quando rotulam seu trabalho como muito óbvio, ele se defende dizendo que quando a arte é excessivamente ambígua, muitas pessoas não a compreendem. Ele quer que essas pessoas compreendam, que quem não vai ao museu, queira ir a ele.



























Bibliografia:

[1] SCHILLER, Carlo McCormick, March Schiller e Sara. Trespass - história da arte não encomendada. Editora Taschen, 2010, 318 p.

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