sábado, 23 de junho de 2012
Viva intensamente, morra jovem, torne-se imortal [Gabriela Bianchi] #5
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Presença de Espírito [Gabriela Bianchi] #4
“Eram escritores que viviam à margem, excluídos e que, por várias razões, após sua morte, foram alçados à condição de ‘clássicos’”, afirma Kênia Maria de Almeida Pereira, professora de Literatura Brasileira da Universidade Federal de Uberlândia.
As hipóteses para as razões de isso acontecer com os escritores são um pouco distintas das razões para celebridades da música e da grande mídia. A incompreensão dos contemporâneos e da sociedade da época, como aconteceu com Oswald de Andrade, ou mesmo o preconceito contra o autor – foi o caso de Lima Barreto, visto como alcoólatra e pobre. Além de que o aparecimento de novas ciências e a emergência de novas “eras artísticas”, o que leva à reinterpretação dessas obras com o tempo.
Dessa forma, autores antes ignorados e considerados de mau gosto estético são trazidos à cena do debate e reavaliados, como Marquês de Sade e sua literatura erótica. O reconhecimento também pode estar relacionado até mesmo à sorte de tal escritor nascer no momento certo, no lugar certo. Muitos são vítimas de seu tempo, parece que nasceram cem anos adiantados, são incompreendidos e refutados quando ainda vivos.
Será que Shakespeare seria o centro da tradição literária se tivesse nascido na África, e não na Inglaterra? Afinal, a literatura e a fama de seus autores estão de alguma forma, atrelados à política, à economia e à religião, enfim, à cultura e à abordagem midiática daquele contexto.
Oswald de Andrade - O modernismo proposto por ele não foi bem aceito pelas pessoas da época, o que impediu que ele obtivesse o merecido reconhecimento. “Enquanto estava vivo, era considerado mais um piadista, um bon vivant, um rebelde, do que propriamente um poeta excepcional”.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Michael, they don't care about us [Gabriela Bianchi] #3
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Falai-me da Morte [Gabriela Bianchi] #2
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Vida de amargura, túmulo de glórias [Gabriela Bianchi] #1
É muito curioso como muitos artistas tiveram a legião de fãs multiplicada depois da morte. A aura de glamour e fascínio cresce exponencialmente, assim como o potencial desses ícones em gerar lucro. Um levantamento anual feito pela revista americana Forbes revela que em 2007, treze celebridades mortas, juntas, renderam U$232 milhões para a indústria fonográfica. Elvis Presley faturou U$49 milhões, entre royalties, venda de discos e produtos. Em segundo lugar, John Lennon 17 anos após seu assassinato gerou cerca de U$44 milhões. Até mesmo George Harrison, conhecido como “the quiet Beatle”, possui rendimentos póstumos nada discretos: U$22 milhões.
Longe de me colocar à altura de analisar e investigar esses fenômenos, me proponho a conhecer melhor algumas histórias e a conseguir mostrar que a receita para a imortalidade com muito dinheiro, sucesso e tributos anuais não se deve unicamente ao “bater de botas” dos artistas.

Primeiramente, é necessário compreender que a configuração de um sujeito como celebridade não deve ser pensada pela dimensão instantânea de sua morte. Antes de mais nada, para ser edificada como uma estrela e ter a possibilidade dessa “explosão”, segundo Marshall (1997) o artista precisa ser compreendido como figura pública que ocupa espaço de visibilidade da mídia e construído discursivamente. Sendo assim, a mídia seria responsável não apenas pelo processo de visibilização do sujeito, mas pela própria constituição do sujeito como celebridade por meio de um processo de interlocução que estabelece na sociedade entre os indivíduos da vida cotidiana, a mídia e o contexto social (Morin, 1989).
Portanto, a morte de uma celebridade, seria um contexto que faz emergir valores que levam a mídia a realizar um ato de expressão sobre um sentimento que já existe entre o artista e a sociedade, mas não foi estimulado. Os eventos em torno da morte desse artista envolvem a interação entre os indivíduos, os dispositivos sociais e midiáticos, bem como entre a família do astro, os amigos, os fãs e os profissionais da mídia, os quais constroem discursos que tematizam essa celebridade naquele momento contemporâneo, trazendo à tona sua exposição e mobilizando a sensibilização da sociedade. Toda essa movimentação deixa um caminho aberto à idolatria, em que por meio de toda essa exposição excessiva cativa novos fãs e estimula a venereção por parte dos antigos.
Fernanda Takai relata esse comportamento em canção de Gilberto Gil e Rubinho Troll, chamada “Necrofilia da Arte” (Se o Lennon morreu, eu amo ele/Se o Marley se foi, eu me flagelo/Elvis não morreu, mas não vivo sem ele).
