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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Mandando Bem [Laura Marques de Oliveira] #3


Para este post o quadro analisado foi o "Mandando Bem" do dia 21 de abril. No quadro aqueles que desejam participar enviam cartas contando sua história e explicando as razões pelas quais ele (a) deve ir ao programa. Para participar deste quadro é necessário ter algum tipo de talento, como foi o caso de Kayo Victor, um homem de 23 anos que fazia yakisoba para vender na porta de bailes funk para complementar a renda de sua família. Neste quadro percebi que em vários momentos o programa de Luciano Huck foge ao conceito do neopopulismo, para explicar, utilizarei um exemplo que notei assistindo ao “Mandando Bem” do dia 21 de abril.
 O neopopulismo remete à idéia de soberania popular, a qual enaltece o conhecimento do povo (chamada por alguns de “senso comum”) e denuncia o intelectualismo das classes dominantes. No quadro do Caldeirão do Huck analisado para esta postagem o cozinheiro Kayo Victor havia aprendido a fazer seu yakisoba sozinho, colocando nele ingredientes que nem mesmo fazem parte da receita original, ou seja, o fazia a partir do “senso comum”, ele não tinha nenhum conhecimento intelectual ou específico sobre gastronomia. Além disso o participante do quadro também havia aprendido a administrar seu negócio simplesmente com a prática, também com o “sendo comum”. Visto isso, o chef Alex Atala foi convocado, então, pelo programa para ensinar Kayo sobre gastronomia e o participante também recebeu aulas sobre administração. O programa se mostrou contrário à soberania popular na medida em que considerou necessário ensinar à Kayo teorias e práticas próprias do campo do intelectual das classes dominantes. Dessa maneira, o quadro “Mandando Bem” do programa Caldeirão do Huck analisado nesta quinzena não possuía características propriamente neopopulistas. 





Quadro analisado disponível no site.


Referências Bibliográficas:


FREIRE FILHO, J. Renovaçõesda Filantropia Televisiva: do Assistencialismo Populista à Terapia do Estilo. In: A TV em transição: tendências de programação no Brasil e no mundo. João Freire Filho (org.). Porto Alegre: Sulina, 2009.

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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Agora ou Nunca [Laura Marques de Oliveira] #2


Nesta quinzena tive problemas, pois o quadro que gostaria de analisar neste post é o Agora ou Nunca, mas ele não foi veiculado nos últimos dois sábados. Neste quadro as pessoas enviam cartas para o programa e uma delas é escolhida para ir até o set do Caldeirão do Huck para tentar ganhar prêmios. Porém, a premiação só é entregue se o participante conseguir passar pelas provas criadas pela produção do programa. Nas palavras do apresentador Luciano Huck: “As coisas têm que ser batalhadas para serem saboreadas”.
Primeiramente, a “personagem” escolhida para fazer parte do quadro é sempre alguém que esteja passando por grandes dificuldades financeiras e que tenha projetos de vida; como foi o caso do Agora ou Nunca do dia 28 de janeiro, o primeiro que analisei.
No quadro, o participante era Josevaldo Silva, maestro que ensina música para crianças num dos bairros mais pobres da cidade de Conceição do Coité, na Bahia. Ao longo do programa mostra-se que a orquestra de crianças ministrada por Josevaldo precisava de mais recursos. A escolha dessa personagem já aponta a característica neopopulista do quadro. Josevaldo é mostrado como alguém que merece os prêmios por não ser financeiramente abonado. Outro aspecto é o da nobreza da causa que Josevaldo representa, algo que é constantemente lembrado por Luciano Huck. Enquanto o maestro realiza as provas fala-se também sobre as dificuldades que ele passa para concretizar o projeto para as crianças da cidade. Dessa maneira o participante torna-se grande merecedor do prêmio como homem pobre, necessitado (retrato da classe que o neopopulismo prioriza). Durante as provas Luciano torce por Josevaldo e se mostra como aquele que deu tal oportunidade para o homem; aparece, então, o líder carismático, típico dos populismos (neo e tradicional). No quadro a ideia de mérito (Josevaldo “lutou” pelo dinheiro) aparece claramente; como se o maestro tivesse conseguido o dinheiro sozinho. Quando, na verdade, o processo para chegar ao prêmio, não preparou o participante em nenhum sentido para administrar a quantia que recebeu.

Quadro "Agora ou Nunca" analisado:


Acesso em: 13/04/2012
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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Caldeirão do neopopulismo [Laura Marques de Oliveira] #1




Inicialmente me propus a pontuar o conceito de neopopulismo e como ele aparece na produção midiática do nosso país, com enfoque no programa de auditório Caldeirão do Huck. E o fiz a partir da definição de neopopulismo de Ricardo Vélez Rodríguez em seu artigo “O neopopulismo na América do Sul – Aspectos conceituais e estratégicos” e do livro de Vilmar Rocha “O fascínio do neopopulismo.
O populismo (nas suas variações neo e tradicional) é retratado por ambos os autores como uma forma de exercício de poder que emerge do desgaste de democracias representativas, rejeita qualquer tipo de institucionalização do exercício do poder e no qual há um forte denuncismo: os males sociais são sempre colocados em pauta. No populismo o posicionamento político é antielitista, nacionalista, o líder encarna a figura de salvador do povo; trabalha um discurso de que as causas do povo são suas, explora o ressentimento das “massas” contra as elites, seduz o povo a ter uma forte confiança nele, forma uma vinculação direta com o povo - ignorando as instituições que mediariam esta relação - e passa uma imagem de semelhança com o povo que governa.
            A diferença entre o populismo tradicional e seu desdobramento contemporâneo, segundo Vilmar Rocha (1998, p. 18) se dá no fato de que o segundo baseia-se na decomposição das classes sociais, visando, principalmente, as camadas populares mais necessitadas; enquanto o primeiro “baseava-se na integração dos trabalhadores ao mercado e na sua participação política via sindicatos.” (ROCHA, 1998, p. 18).
            Visto isso, o programa Caldeirão do Huck, entre outras produções midiáticas brasileiras, é repleto em posicionamentos neopopulistas. Na medida em que o denuncismo tem forte presença no programa, Luciano Huck encarna o líder salvador carismático do povo que entrega “presentes” ao seu público elevando a condição financeira de seus contemplados, ignora as instituições e cria um vinculo próximo com os telespectadores dando preferência às classes mais baixas (via facebook e twitter também).
            A partir dos próximos posts situarei melhor onde e de que forma essas características aparecem no programa ao analisar alguns quadros – como o Lata Velha e Agora ou Nunca - separadamente.



Fontes bibliográficas:http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/NASACE.pdf Acesso em: 29/04/2012

ROCHA, Vilmar, O fascínio do neopopulismo. TOPBOOKS Editora, Rio de Janeiro, 2007.
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