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sábado, 23 de junho de 2012

O estranho mundo de Burton [Bárbara Nery] #5

Minha última quinzena de pesquisa foi reservada para leituras - agora com repertório suficiente para total entendimento – sobre a obra e o estilo do produtor e diretor Tim Burton.
Uma das características que reparei foi a relação entre arte e cinema hollywoodiano. Burton é um dos poucos diretores que, apesar dos grandes investimentos, lucros, vendagens e outras variáveis que Hollywood influencia, consegue imprimir uma marca extremamente pessoal.
Outra característica é que, apesar da unicidade de seus filmes, estes variam muito. As narrativas de Burton passaram por animações, dramas, ficção científica, comédia, terror, adaptações de contos e quadrinhos e refilmagens.
Uma das razões de sucesso de seus filmes é também a relação com toda a sua equipe. Fato evidenciado pelas constantes parcerias como Danny Elfman na trilha sonora, Colleen Atwood no figurino, Johnny Depp e Helena Bohan Carter no elenco, entre outros.

Quanto à influencia de Burton, estas são bem evidentes: o expressionismo e surrealismo se mantém muito presente em suas obras. Além do mais, Burton faz questão de remeter a seus ídolos, como a o filme biográfico sobre Ed Wood e as inúmeras referências a Vincent Price e Edgar Allan Poe.  Apesar disso, Burton ainda segue a linearidade do cinema clássico em sua narrativa e o foco na personagem principal.

Porém, a principal marca de Burton é o conflito de seus heróis. Estes são sempre ‘desajustados’, muitas vezes obsessivos, e se encontram deslocados de seu espaço. Tim trata de assuntos relativos ao “eu” numa visão ingênua, pueril ao tratar de aceitação do estranho e fascinação pelo novo. Por isso a constante referência ao imaginário infantil, apesar de seus filmes não serem feitos para crianças. Muito pelo contrário, trazem complexidades maduras com viés humano, como temas de morte e a relativização do bem e do mal na inversão de papéis.
A estética é outro ponto forte do diretor. Suas personagens têm encenações exageradas e mesmo caricatas, os cenários mesclam lugares sombrios ou extremamente coloridos. É curioso como Burton desvia o que seriam os protagonistas clássicos nas personagens mais excêntricas, como no caso de Alice no País das Maravilhas, em que o Chapeleiro Maluco tem grande destaque.
Estas observações, entre outras, tiradas de um estudo e de percepções pessoais serão explicitados e explorados no relatório final.
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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Dualidades [Mariana Pereira] #5


Nesse último post, vou falar sobre uma tendência muito comum nos flmes de Miyazaki, o “Par de Irmãs”.  Nesse paralelo entre duas personagens uma é a “irmã mais nova”, que representa o idealismo enquanto a “irmã mais velha” personifica a racionalidade. Tão padrão pode ser encontrado mais claramente em filmes como “Porco Rosso”, “Kiki’s Delivery Service” e “My Neighbor Totoro”, mas tal conexão pode ser estabelecida com praticamente todas as personagens do diretor.

My Neighbor Totoro: Satsuki sempre cuida de sua irmã mais nova, Mei

As irmãs mais novas geralmente tomam decisões precipitadas e inconseqüentes que levam a situações problemas, enquanto cabe às irmãs mais velhas a resolução do conflito. Mei, de Totoro, foge de casa e deixa sua irmã, Satsuki desesperada para encontrá-la. Já Kiki, por exemplo, possui os dois aspectos concentrados dentro de si: ela impulsivamente muda de cidade para começar uma nova vida, mas depois começa a perceber que deverá que planejar melhor suas ações se quer prosperar. Além disso, Kiki é auxiliada por um outro par: Osono, sua “mãe-adotiva”, que a hospeda em sua padaria e a ajuda a controlar seu empreendimento e Úrsula, sua “mãe de espírito”, uma artista que vive na floresta e oferece dicas para que Kiki encontre sua motivação pessoal. Finalmente, em Porco Rosso, Marco convive com seu próprio par: a jovem Fio, uma habilidosa construtora de aviões e Gina, a prática dona de um hotel.

Kiki's Delivery Service: Ursula leva Kiki em viagens, enquanto Osono cuida de sua febre

Ao retratar o desenvolvimento feminino em ciclos e pares, Miyazaki mostra a importância das duas faces das “irmãs”. O idealismo inicial é substituído pelo racionalismo, mas um não seria possível sem o outro. 

Satsuki procura agir como uma adulta, mas para encontrar sua irmã Mei, ela deve abraçar seu lado mais infantil e buscar a ajuda de um personagem mágico. Kiki não conseguiria viver na cidade sem a ajuda de seu lado mais objetivo, mas sua mágica não seria possível sem seu lado mais sonhador. E o piloto Marco só consegue voar porque possui a inspiração que Fio trás e a companhia de Gina.

Porco Rosso: A teimosa e impaciente Fio e a madura e elegante Gina

O diretor até mesmo coloca pistas visuais que conectam os pares de personagens: as “irmãs mais novas” geralmente tem cabelos mais claros, arrumados em rabos-de-cavalo e tranças, enquanto as “irmãs mais velhas” ostentam cortes curtos. Acho que já dá pra imaginar os motivos por trás dessas escolhas, não é?

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Assuntos da mesma temática [Clara Novais] #5

Minha ideia para essa quinzena era resumir o que produzir, mas não estou satisfeita com o conteúdo que produzi. Acho que para uma análise mais eficiente é necessário que outras áreas dos cadernos sejam levadas em consideração. Sendo assim, minhas conclusões ficarão para o relatório final.

Crítica de Filmes


Na intenção de ter um olhar sobre as críticas de filmes dos cadernos procurei críticas sobre estréias que este ano tiveram destaque. Entretanto, não encontrei um filme que tivesse sido abordado em ambos os cadernos. Procurei por "Os Vingadores", "Paraísos Artificiais", "Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios", "Titanic 3D". Não sei se foi falha das buscas online de ambos os jornais, que basicamente me apresentaram os horários dos filmes. Quase desisti de ideia quando hoje, por sorte, me deparei com o filme "Sombras da noite" recebendo críticas em ambos os jornais.

Sombras da noite

No Estado de Minas, a crítica veio no caderno Divirta-se. Por se tratar de um complemento do EM Cultura - assim como o TV -  me utilizei dele. Nele, a crítica ganhou página inteira - metade para uma foto do ator protagonista Jhonny Depp, metade para o texto.

Carolina Braga foi a responsável pela crítica. Deu para perceber que o filme não agradou a jornalista. Ela ressalta a parceria de Tim Burton, diretor do filme, e Jhonny Depp - que vê muito mais como um ato de amizade de ambas as partes, que sinônimo de qualidade de roteiro. Aliás, o roteiro, para ela, deixa a desejar. É mais um na onda dos vampiros, seu ponto alto não convence, sua narrativa é arrastada e - ainda - Carolina sente que Burton reduziu sua dose de comédia nessa produção, e isso não lhe agradou. Entretanto, ela afirma que a estética do diretor continua impecável e encantadora como sempre.

Já no caderno Ilustrada, a crítica ficou por conta de Ricardo Calil. Ganhou meia página - um quarto dela para foto de Johnny Depp, um quarto para o texto, que tem tamanho similar ao do publicado no Divirta-se. O crítico da Folha de São Paulo também destaca a parceria entre Burton e Depp. Entretanto isso lhe agrada, ele diz que a parceria "ainda pulsa". Ainda, ele ressalta o tom humorístico do filme, o descreve e diz que Burton acertou em cheio nesse ponto. Diz que a narrativa é mais ligeira e menos existencialista que a média da dupla. Só o final ele considerou frouxo, mas aponta que Burton não é mesmo feliz em seus finais.

Assim: Ambos os jornais deram destaque para a parceria entre Tim Burton e Jhonny Depp, trataram do tom humorístico, da forma da narrativa e do que consideram negativo nos trabalhos de Burton. Entretanto, o filme não agradou a crítica do Estado de Minas, mas agradou o da Folha.

Percebendo que os cadernos publicam as críticas dos filmes no dia de seu lançamento nacional - geralmente na sexta, por isso sua publicação no Divirta-se, procurei pela crítica de "Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios", que  teve estréia 20 de Abril.

Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios

No Divirta-se, Carolina Braga foi novamente a responsável pela crítica. Exaltou a química entre os protagonistas, Camila Pitanga e Gustavo Machado, e elogiou a temática do filme. Entretanto, ela considerou o filme a pior adaptação do diretor Beto Brant para um romance do escritor Marçal Aquino (foram 7 no total). Disse que o filme é muito cheio de lacunas, o que prejudicou, entre outros aspectos, a narrativa policial. A crítica ganhou uma página com uma foto de quase meia página do casal protagonista.

Já no Ilustrada, a abordagem foi diferente da feita no filme de Tim Burton. O jornalista Rodrigo Salem descreveu a produção do filme, com destaque para a preparação da atriz Camila Pitanga. Nos contou como surgiu a idéia e porque Camila foi escolhida. Em seguida, veio a crítica por Pedro Butcher. A narrativa também não agradou ao crítico, foi considerada frouxa. Mas ele destaca que não se deve levar isso em consideração ao assistir o filme. Elogia o "mergulho singular na alma dos personagens" feito por Beto Brant e a atuação dos atores protagonistas. Meia página, foto de Camila Pitanga em destaque.

Em suma: O Estado de Minas se ateve à crítica do filme, enquanto a Folha de São Paulo deu espaço também para se falar da produção do filme. Não agradou cem por cento nenhum dos jornalistas e as atuações ganharam grande destaque e elogios.

Buscando pela data, fui atrás de críticas do filme "Paraísos Artificiais". No caderno divirta-se ele não ganhou destaque como os tratados a cima - foi dado ao filme "Um Homem de Sorte". Porém, na página seguinte, ele ganhou foto e descrição. Já na Folha de São Paulo nem se citou o filme para além do Roteiro de Cinema. Também não se falou de "Um homem de sorte", nem apresentou outra crítica de cinema. Falaram da carreira do ator Channing Tatum, nova aposta de Hollywood.

Conclusão: Não fui atrás de outras estréias por perceber que não existe um padrão. Ambos os jornais tratam de filmes recorrentemente. O Divirta-se fala das estréias no lugar do Estado de Minas, por vir na sexta-feira como guia cultural do final de semana. Nele, há sempre uma estréia de filme ganhando críticas e as outras estréias com certo destaque. No Ilustrada, trata-se do filme quando houver um interesse do caderno. Não digo comercial, talvez seja informacional. 

Não considero que o modo como as críticas aos filmes são feitas tenham divergência de jornal para jornal, isso vai muito mais para o gosto do crítico de cinema escolhido. 

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Já comecei a preparar meu relatório final. 
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quarta-feira, 13 de junho de 2012

De A a Alice [Barbara Nery] #4

Esta última quinzena serviu para finalizar a filmografia de Tim Burton, como diretor e produtor. Dentre os filmes propostos, Planet of The Apes foi o único filme ao qual não tive acesso. Infelizmente, o longa mais recente, Dark Shadows ainda não foi lançado no Brasil, mas espero poder inseri-lo na apresentação final.
Ao encerrar a filmografia, foi possível perceber a essência que Burton procura nos filmes que assina. A começar por James and The Giant Peach, uma história que envolve o universo infantil e que, durante o filme, se transforma em animação. É bom notar a presença de quadros musicais, que se repete em outros títulos. Sleepy Hollow traz o tema de terror ao contar a lenda do cavaleiro sem cabeça. Uma das coisas que me chamou atenção no filme é a narrativa que confirma a fantasia como realidade, pois o personagem principal era um cético que passou a acreditar no misticismo como, por exemplo, bruxas e magia negra. Big Fish retoma a transformação da fantasia em realidade, ao narrar um filho que recusa as histórias mirabolantes de seu pai e descobre ao fim que se tratava de histórias reais construídas por metáforas. Charlie and the Chocolate Factory é um remake que traz a aventura de 5 crianças em uma inusitada fábrica de chocolates, totalmente fantasiosa e infantil, ao estilo de Burton. Corpse Bride é mais uma animação em stop motion, muito semelhante a filmes anteriores como Nightmare Before Christmas e Beetlejuice. Sweeney Todd conta uma historia de vingança com uma estética pesada e sombria, usando-se de quadros musicais. Por fim, Alice In Wonderland é uma adaptação do conto em que Alice retorna ano depois a um País das Maravilhas destruído na missão de matar um dragão com ajuda das mais diversas criaturas de sua imaginação.

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O Cinema de Andy Warhol [Yuri Oliveira Guimarães] #4

Apesar de não ser uma área tão lembrada e comentada quando se fala de Andy Warhol, o acervo cinematográfico desse artista é bastante extenso. Warhol gerou dezenas de filmes, entre longas e curtas-metragens. Se destacando muito mais pelo caráter experimental, Andy muitas vezes filmava simplesmente pelo gosto de capturar uma imagem, um movimento, e, assim, acabou demonstrando um forte fetiche pela performance do corpo humano em seus filmes.

Nessa quinzena, assisti 4 filmes dirigidos por Andy Warhol para ter uma visão mais geral do trabalho dele no cinema americano. Os filmes assistidos foram: "Sleep", "Couch", "Chelsea Girls" e "Lonesome Cowboys".


"Sleep" é um dos mais conhecidos dos longos filmes de "uma só ação" feitos por Warhol. Trata-se de uma sequência de 321 minutos (obviamente eu não assisti tudo) de John Giorno, um amigo de Warhol, dormindo. Foi o primeiro filme feito pelo artista (filmado em 1963) e foi feito com uma câmera de três minutos, por isso ele tinha que trocar o filme de tempos em tempos.
Tem um aspecto absurdamente experimental. Warhol parece investigar formas de "como filmar", explorando todo o corpo do "ator" dormindo com raros e lentos movimentos de câmera, sem áudio.
Assista um trecho do filme aqui.



"Couch" segue, de certa forma, o mesmo princípio de capturar uma ação do filme "Sleep". Trata-se de uma filmagem de 1964 com diversas pessoas convidadas por Warhol que se "relacionam" em cima do velho divã vermelho da Factory.
É praticamente um filme pornográfico sem som e com imagens irritantes. O elenco tem relações sexuais durante todo o filme. Se fosse feito por um estudante de cinema qualquer, provavelmente seria tratado como lixo e totalmente desvalorizado. Mas, como é de Andy Warhol, veio a ser considerado um dos seus trabalhos mais notáveis.
Assista aqui.

"Chelsea Girls" (1966) foi o filme de maior sucesso de Warhol, sendo o primeiro filme underground a ser exibido em uma sala comercial em Manhattan e arrecadando mais de 50 mil dólares com um orçamento de 1500 dólares.
Warhol mantém seu caráter experimental, principalmente com a câmera, mas inova com seu trabalho com a narrativa. Nesse filme, Paul Morrissey colaborou com Andy e foi um fator essencial para acrescentar ao filme um trabalho de roteiro mais definido e deixá-lo mais comercial. Mesmo assim, Warhol buscou deixar a espontaneidade evidente no filme.
A característica mais interessante é a quebra da narrativa. O filme possui diversas cenas com narrativas totalmente desconectadas entre si. Apresenta duas de cada vez, lado a lado na tela. O áudio centra-se em uma narrativa por vez e algumas vezes simplesmente não existe, deixando a imagem falar por si só. Isso obriga o telespectador a dividir sua atenção entre uma imagem que possui um áudio sincronizado e outra completamente sem som, mas que ainda assim chama a atenção pelo visual.
Assista um trecho aqui.


"Lonesome Cowboys" (1968) foi projetado para ser uma versão faroeste de Romeu e Julieta (os protagonistas se chamam Ramona e Julian), mas aparentemente falhou nesse aspecto e tornou-se uma sátira de filmes de faroeste. Conta a história de um grupo de cowboys gays que entram em uma disputa com Ramona em uma cidade do interior de Arizona. O filme possui cenas cômicas (como os cowboys dançando pela cidade, conversando e brigando), polêmicas (como o estupro de Ramona no rancho dela) e várias extremamente sexuais. Warhol trata também de temas como sexualidade e transexualismo.
Warhol continua bastante experimental nesse filme. Isso é mais notável na edição e na atuação. Os atores cometem alguns erros nas gravações (como rir em cenas que deveriam demonstrar medo), mas Warhol manteve esses erros na edição final. Ele dizia que gostava de erros assim, pois eles demonstram espontaneidade e são parte da gravação.
Assista um trecho aqui.


As críticas que muitos filmes desse artista recebem são bem pesadas, mas é inegável que há uma autenticidade bem forte no cinema de Warhol, mesmo que seja na questão de filmar o que ele queria filmar, de pegar uma câmera e fazer algo com ela.
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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Heroínas do shoujo e princesas desastradas [Mariana Pereira] #4


O mundo do entretenimento japonês é dividido em diversos gêneros que tem especificidades direcionadas para seus diferentes públicos alvos. No trabalho de Miyazaki podemos encontrar muitas similaridades com o estilo Shōjo, voltado para o público jovem feminino e que foca em temas do relacionamento romântico e emocional humano. 

As heroínas são meninas pré-adolescentes, charmosas e não-sexualizadas, que enfrentam perigos e situações que simbolizam os rituais de amadurecimento. A maioria das personagens de Miyazaki poderia ser classificada sob essa categoria, já que o tema da passagem de idade é recorrente em seus filmes, mas há uma diferença. Enquanto personagens Shōjo são ultra-femininas,  passivas e desastradas, já pudemos perceber que o diretor não constrói seus personagens nessa linha.

Típica Shōjo: Lindas, mas descoordenadas e às vezes até classificadas como "burra"

O Shōjo representa um nicho que ainda está construindo sua identidade, procurando referências de como se comportar e podem encontrar uma referência positiva nos filmes do Estúdio Ghibli. As personagens de Miyazaki são fortes, pró-ativas e indepententes, mas também incorporam características como o zelo, a compaixão, sacrifício; encorajando-nos a reavaliar nossas noções sobre o que consideramos tipicamente “feminino” e “masculino”.

Tendo dito isso, acho importante agora uma rápida análise do filme “Um Castelo no Céu”, que tem uma dupla como o centro da trama: Sheeta e Pazu. Sheeta é a princesa de um reino que se movimenta sob as nuvens e está sendo perseguida por uma gangue que quer se apossar de seus poderes mágicos e uma típica heroína Shōjo. Ao contrário das personagens que conhecemos anteriormente, Sheeta não é ágil ou atlética e é vista com freqüência durante o filme sendo arrastada por Pazu, que assume o controle da dupla e é claramente mais habilidoso fisicamente.

Sheeta e Pazu: simplesmente donzela e príncipe?

 Apesar disso, ela sua determinação e bravura são cruciais durante o clímax do filme. E não podemos esquecer da importante Mama Dola, que pode ser considerado o oposto de Sheeta: ela é a capitã de um avião e lidera uma trupe de homens piratas, que seguem seus comandos cegamente.
Novamente Miyazaki desafia as concepções de gêneros não se restringindo aos clichês femininos que vemos em tantos filmes por aí. Mulheres (e homens!) possuem milhões de facetas e ao invés de condensá-los em simples papéis estereotipados de “macho-alfa”, “donzela em apuros”, Miyazaki elabora personagens complexos e humanos.





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quarta-feira, 30 de maio de 2012

A grande conquista do cinema [Barbara Nery] #3

Foi com o filme Beetlejuice que Tim Burton recebeu grande destaque no mundo cinematográfico e a partir de então tornou-se o renomado diretor e produtor que conhecemos hoje. O filme segue a linha temática típica de Burton: histórias que envolvem monstros e fantasmas, mas com uma pitada de comédia.

Edward Scissorhands, por sua vez, é uma criação de um homem que falece, deixando-o com tesouras no lugar das mãos. Mais uma vez, trata-se se um "monstro" rejeitado pela sociedade por sua excentricidade (assim como em Frankenweenie). Dessa vez, a narrativa se aprofunda um pouco mais no que diz respeito à critica aos padrões da sociedade, que rejeita aquilo que é diferente.
The Nightmare Before Christmas é uma animação em stop motion sobre um ser do mundo do halloween que descobre o mundo do Natal. Fascinado, tenta "roubar" o Natal para si, embora não tenha compreendido o sentido da festidade. Mais uma vez a temática atravessa monstros, fantasmas, fanpiros e outras criaturas. A narrativa romântica aparece assim como no filme anterior.
Já Ed Wood é um filme biográfico que conta parte da vida do diretor, durante a produção de três dos seus filmes.
Mars Attacks! é o último filme visto, onde marcianos invadem a Terra e saem destruindo matando tudo o que veem pela frente. O filme mostra a incompetencia do governo ao tentar negociar com os ETs. A invasão só termina quando um adolescente descobre que uma música é capaz de explodir a cabeça dos invasores.

Três dos filmes propostos não foram assistidos por não conseguir baixar. Batman, portanto, já havia sido assistido anteriromente. O filme segue uma linha mais rígida por ser uma releitura, mas o estilo burtaniano se reflete na personagem Coringa, com suas paranoias e bizarrices, além da sua estética.
Nesse ponto do projeto, é interessante ressaltar a forma como Burton faz suas personagens bizarras ganharem a simpatia e aceitação do público.
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segunda-feira, 28 de maio de 2012

A inversão de ideologias em "Princessa Mononoke" [Mariana Pereira] #3


Continuando a saga pelos filmes do estúdio Ghibli, o programado para essa quinzena é o longa “Princesa Mononoke”, um drama de época focado no envolvimento de um jovem na batalha entre os espíritos guardiães da floresta e os moradores de uma vila que sobrevivem a partir da extração do aço.

Uma princesa envolta por sangue, espíritos selvagens e violência

Sen é uma adolescente que foi criada por lobos a e devido a isso, desenvolveu profundos laços afetivos com o mundo místico e a fauna da floresta. Assim como Nausicaä, ela também é determinada, corajosa e disposta a se sacrificar para atingir sua meta, mas ao contrário da princesa que poderava com racionalidade todos os lados do problema antes de chegar a uma conclusão, Sen é impulsiva e violenta. Sua principal inimiga é Lady Eboshi, líder da comunidade do aço e lutadora implacável, que quer defender seus companheiros a qualquer custo. As duas personagens femininas estão completamente engajadas em seu combate mortal e cabe, pela primeira vez em um filme de Miyazaki, a um personagem masculino a conciliação da disputa. Ashitaka é um guerreiro que tem acesso a ambos os lados e crenças antagonistas e, por isso, possui uma noção completa da situação.

Ashitaka e Eboshi: o homem como conciliador de duas forças destrutivas

Durante o segundo encontro presencial, ao contar um pouco sobre como Miyazaki construía a sua ideologia de mulher a partir de elementos etéreos e ligados ao ar e a água, fui questionada se o diretor não possuía uma visão distorcida e idealística demais, mas acho que com esse longa-metragem, a inversão dessa ideologia é clara, já que tais características são inerentes a um homem. Sen e Eboshi, por sua vez, possuem a sede de sangue e a visão limitada que antes eram atribuídas aos personagens masculinos. Apesar disso, o diretor não abre mão da criação de personagens complexos e profundos, dando às duas personagens virtudes de espiritualidade e compaixão.

Na próxima postagem, analisaremos mais uma construção masculina e como uma princesa desastrada e passiva pode também ser uma grande adição ao roteiro com o filme “Castelo no Céu”
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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os primeiros passos de Burton [Barbara Nery] #1

Se engana quem acredita que o portfólio do Tim Burton se resume a superproduções bilionárias. Seus primeiros curtas começaram a ser produzidos quando Burton tinha apenas 13 anos.
Stalk Of The Celery Monster  foi o primeiro que consegui assistir. Trata-se de uma animação feita a lápis, com técnicas bem simples, mas muito bem feita. O tema de terror conversa com a estética em preto e branco presente na maior parte das cenas.
Doctor of Doom, por sua vez, é um curta filmado. Caseiro, o filme conta com a participação do próprio Burton como ator. Sua temática envolve monstros e hipnose, mantendo um clima de terror durante a narrativa.
Já o curta Luau mostra-se ainda bem amador, cuja narrativa se passa em uma praia. É o primeiro curta que foge um pouco da estética primária de Burton, pois mostra cenas mais coloridas e ainda, abusa da comédia. Sua temática, porém, é bizarra, envolvendo uma disputa de surf, cabeça alienígena sem corpo e outras paranoias.
Vincent vem a seguir, um stop motion baseado em um poema de Burton. O curta conta com a narração de Vincent Price, ator admirado por Tim. A temática se apropria do universo fantasioso infantil, em que um garotinho se imagina em cenas dramáticas de terror. 


Dando continuidade, surge o primeiro filme comercial, com quem Tim Burton trabalhou com uma equipe de profissionais: o também infantil Frankenweenie. O filme conta a história de um garoto que, após ter seu cão atropelado, o traz a vida novamente através da ciência. Mesmo com um final feliz, o filme sofreu algumas censuras ao público infantil pela temática que aborda morte e "monstros".
Pee Wee's Big Adventure, por sua vez, é um filme que conta a história de Pee Wee, que se aventura pelo páis atrás de sua bicicleta perdida. Com tom extremamente cômico, a toque burtoniano se dá pela trama que envolve motoqueiros, um caminhão fantasma e cowboys.
Nem todos os filmes propostos foram assistidos, alguns por não terem sido encontrados, outros por falta de tempo, que será recuperado nas próximas duas quinzenas. Decidi, por conta disso, abandonar as produções feitas para TV.
Como encerramento do post, fica a perceptível evolução dos curtas amadores de Tim até suas primeiras produções na Disney, sempre mantendo uma temática recorrente e um estilo extremamento único.
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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Um olhar feminino na Nouvelle Vague [Isabela Guimarães] #2


Nessa quinzena me deliciei com quatro filmes lindos da diretora belga Agnès Varda. Coloco aqui os links de alguns trechos de filmes que achei fantásticos e que ajudarão na leitura do post. Porém, não consegui todos eles com legendas:

Le Bonheur (1965)

La Pointe-Courte (1955)


A escolha dos filmes foi baseada nos anos (os mais próximos ao início da Nouvelle vague) e também por indicação da professora Cláudia Mesquita. 

Percebi que os filmes dessa quinzena, de Agnès Varda, possuem uma temática mais afetiva, que tratam dos senitmentos dos seres humanos nas mais diversas situações. O filme Cléo de 5 às 7, por exemplo, trata da agonia, da tensão da jovem e bela cantora de rádio Cléo durante 1 hora e meia enquanto espera o resultado de um exame, que, como se pode deduzir com o filme, confirmará uma suspeita de câncer. Varda disse sobre as situações mostradas no filme: “Eu queria me aproximar dos momentos dos quais não se espera nada e que se revelam mais tocantes que outros” (1) Além disso, é interessante notar, inclusive nesse trecho do filme, o quanto a personagem se endeusa e como Agnes trata disso.

No meu entendimento, essa frase da diretora pode ser usada para compreender os outros filmes dela, pois eles têm roteiros, em certa medida, com histórias dramáticas, sim, mas sem grandes acontecimentos (como explosões, tiros, ou outros tipos de surpresa), mas que me atingiram profundamente de maneira mais sutil, sentimental. Além do filme citado acima, outro que me tocou de forma semelhante foi o Le Bonheur (A felicidade), que tematiza um triângulo amoroso de um homem casado e uma amante. O curioso é que o homem não é infeliz com sua esposa (declaradamente, ele assume à amante) e não se pune/culpa por levar dois relacionamentos ao mesmo tempo.
A profundidade do filme, para mim, está no fato de a diretora parecer transmitir naturalidade no comportamento do homem,uma vez que ele decide revelar o caso extra-conjulgal à sua esposa, que, a seguir, parece ter suicidado. Sem dúvidas, esse filme foi o que mais gostei, não só pela temática, mas por ter uma fotografia sensacional, sem contar as montagens e enquadramentos espetaculares e até a combinação de cores que a diretora dispõe. Esse trecho do filme acima ilustra bem isso que admirei, principalmente no quesito dos enquadramentos.

Falando mais de afetividade, isso também ficou evidente nos outros filmes que assisti (L'opéra-Mouffe e La Pointe-courte). No primeiro, a diretora fala sobre uma rua e do que acontece nela, colocando inclusive questões mais pessoais, que afirma numa entrevista  "É preciso dizer que eu estava grávida. Isso não é dito no filme, nem é colocado como uma situação pessoal, mas como um certo olhar. "L'opéra-Mouffe" não é um documentário social, é um certo olhar, o meu, sobre a realidade tal como a senti naquele dado momento, como mulher, como cineasta. Isto é um documentário subjetivo."(2) Essa frase confirma aquela Política dos autores citada no último post, na qual Truffaut pregava a importância do toque do diretor no filme, de maneira que desse para perceber quando um filme "pertence" a um diretor. 
Já no segundo, esse "sentimentalismo" também está presente, pois, além de haver uma retomada do local de nascimento do personagem - trazendo um pouco saudade - há o dilema de um casal, juntos há mais de 4 anos, que enfrentam uma crise. O filme é permeado de conversas muito profundas entre o marido e a mulher, que questionam o amor que se tem pelo próprio amor e contrapõem ao amor pela pessoa que se tem esse sentimento. O casal acaba reatando, pois a mulher - que teve, a princípio, a idéia de se divorciar - percebe que a ligação que eles têm não se romperá jamais, vendo-se, assim, diante do amor que ela tem pelo seu marido per se e não pelo sentimento amoroso.

Agradeço à professora Cláudia pela disponibilidade e pelas dicas dadas. Espero ter sido mais clara neste post.

Referências bibliográficas:
(1) Catálogo do Centro Cultural do Banco do Brasil do ano de 2008 sobre a Nouvelle Vague (disponível online: http://www.lavoroproducoes.com.br/site/downloads/NV.pdf
(2) Catálogo do FORUMDOC.BH.2004, não disponível online, emprestado pela professora Cláudia Mesquita.
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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Nuberu Bagu - A Nouvelle Vague Japonesa [Johnatan Ferreira] #1



O cinema como grito de liberdade. Talvez seja por esse caminho que a Nuberu Bagu – ou Nouvelle Vague Japonesa – percorre. Os tempos já eram outros e o movimento que se iniciou num Japão da década de 60 que ansiava e ao mesmo tempo era acometido por mudanças, encontrou como deflagrador os estúdios que começavam a abrir portas para os jovens recém-formados que queriam trabalhar. Segundo Lucia Nagib, no livro 'Em Torno da Nouvelle Vague Japonesa", o grande estúdio Shochiku admitiu Nagisa Oshima, que no fervor de sua juventude ajudaria a implantar um novo cinema japonês, quebrando a ditadura dos estúdios, mas começando justamente sob a tutela deles.

Seshun zankoku monogatari

Em “Conto Cruel da Juventude” (Seshun zankoku monogatari,1960), os personagens principais se incendeiam agindo e confirmando a existência caótica nesse mundo quase desprovido de moralidade. O filme manifesto de Nagisa Oshima traz para esse novo cinema que começava a se delinear, a insurgência contra os padrões do gênero que as produtoras de cinema da época relutavam por seguir. Subvertendo alguns conceitos formais e estéticos, ele valorizou de vez a descontinuidade narrativa, as elipses, a dinamicidade da trama intercalada pelos cortes bruscos e o uso de uma câmera móvel longe do cinema clássico estático. Se houve alguma ruptura com o cinema de Ozu, Mizoguchi e Kurosawa, ela provavelmente se iniciou aqui.

No mesmo ano com “O Túmulo do Sol” (Taiyo no hakaba,1960), o filme que eu mais gostei do diretor, Oshima discorre sobre a realidade social japonesa. Foca-se num bairro pobre do Japão, em que a violência é tratada como algo banal e as mortes acontecem como casualidades. Num mundo sujo e precário, onde o dinheiro é custoso e o sol que se põe sela esse meio na mortalidade selvagem e bruta que o caracteriza, deixando somente as sombras que escondem os vagabundos e desabrigados que permeiam essa realidade impiedosa. "Algo irá mudar?" brada uma personagem no final e as expressões atônitas e debochadas encaram a pergunta tendo somente a sujeira e o suor no rosto como resposta.


Taiyo no hakaba

Noite e névoa no Japão” (Nihon no yoru to kiri,1960), filme com alta reflexão sócio-política acrescido de longos discursos e planos-sequencias, é um ataque de frente à sociedade japonesa. O estúdio Shochiku não agradou da radicalização do tema e dessa forma Oshima sai da produtora, praticamente inaugurando o cinema independente no país. Mais tarde com “Um Trato em Canção Japonesa Pornô"  (Nihon shunka-ko,1967)” ele introduz fortemente a matiz do sexo e o erotismo como arma politica, amplificando o teor revolucionário em “Morte por enforcamento” (Koshike,1968) e “Diário de um ladrão Shinjuku” (Shinjuku dorobo nikki,1969) que valorizam a fragmentação de uma linguagem livre e politicamente sedutora.
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