Tive alguns problemas para o
meu projeto que impossibilitaram o meu segundo post. Comprei o livro “A
sociedade de consumo” pela internet e até hoje ele não chegou. Como na época, o
livro não estava disponpivel na biblioteca, acabei atrasando todo o processo. Mas agora o
cronograma do meu projeto está regularizado.segunda-feira, 28 de maio de 2012
Felicidade e consumo na obra de Baudrillard [Matheus Couto] #2
Tive alguns problemas para o
meu projeto que impossibilitaram o meu segundo post. Comprei o livro “A
sociedade de consumo” pela internet e até hoje ele não chegou. Como na época, o
livro não estava disponpivel na biblioteca, acabei atrasando todo o processo. Mas agora o
cronograma do meu projeto está regularizado.sexta-feira, 25 de maio de 2012
As notícias de um jeito que você nunca viu - [Débora Vieira] #1 e #2
Em muitas edições do programa, os apresentadores fazem piada e satirizam o próprio Furo MTV, fazem piadas em relação a sua audiência, a sua qualidade e uns com os outros.
"Só 15 pessoas assistem" CALABRESA, Dani.16/10/10 - Furo MTV
"Imprestável que fuma e vem de chinelo" Dani se referindo ao Bento no programa do dia 13/10/10
" -Você vai conferir hoje no Furo MTV (Bento diz)
-Só hoje, porque amanhã eu não quero voltar (Dani diz)" Programa do dia 07/04/2010
"Jornal tão inteligente que a gente precisa ficar explicando a piada" CALABRESA, Dani.26/03/09 - Furo MTV
"O jornal que você só conhece, porque já acabou a novela da globo e porque a novela do SBT é um lixo" RIBEIRO, Bento. 13/10/10 - Furo MTV
"A gente se esforça para fazer um jornalismo besta, mas é sempre superado" RIBEIRO, Bento. 25/08/09 - Furo MTV
"Furo do dia de hoje. Programa ta acabando, Graças a Deus" RIBEIRO, Bento. 26/04/10 - Furo MTV
Nas edições do programa de 2009, os apresentadore muitas vezes definem o programa como jornalístico em suas frases, ao se referir ao Furo MTV como um telejornal, mas como utilizam da ironia em muitas dessas sentenças, acabam por desconstruir a afirmação de que é um jornal e reafirmando o caráter de comédia do programa.
"Jornal que o Bonner quer apresentar, mas a Globo jamais colocaria no ar" Dani Calabresa
"Jornalismo sério que a gente ta faznedo por aqui"
"Desse jeito serelepe é só aqui mesmo"
"Notícias sérias contadas de forma zuada em 10 segundos"
"O jornal mais equilibrado da TV desde que Fernando Vanute cobriu a Copa meio trilelê
"O Jornal que o Boris Casoi poderia apresentar se tivesse outro bordão além de 'isso é uma vergonha'"
"Ao contrário de muitos jornais a gente tem memória e quando a gente não tem as pessoas sopram as coisas para a gente"
"Mais notícias você vê no jornal" (fala da Dani ao encerrar o programa do dia 07/04/09)
"O jornal que você adora, mas tem vergonha de dizer que assiste"
Em 2010 o quadro Repórter Didi é extinto. Didi F ganha um novo quadro chamado "Brilha o pensamento com Didi" no qual ele comenta sobre as celebridades.
Em 2010 o programa ganha um novo quadro de externas, é o quadro "O Estagiário", no qual um suposto estagiário do Furo MTV faz matérias para o programa, que na avaliação dos apresentadores sempre fica péssima, reforçando a ideia de estagiário como alguém que nunca faz nada direito. Exemplo desse quadro "O estagiário" pode ser visto a partir dos 4 minutos e 30 segundos do vídeo abaixo.
Um dos quadros mais marcantes de 2009 é o "giro de notícias", no qual os apresentadores falam rapidamente sobre notícias do Brasil e do Mundo.
Em 2010 o quadro se desdobrou em dois: "Giro Brasil" e "Giro Mundo"
Outros quadros foram acrescentados em 2010, mas falarei mais sobre estes na próxima postagem.
Além de assistir aos episódios durante esse período de pesquisa, eu fiz contato com um dos roteiristas do Furo MTV: Pedro HMC. Ele é roteirista desde 2010 e avaliou rapidamente as mudanças que ocorreram no programa ao longo desses 4 anos:
"Ao longo dos anos o Furo foi mudando consideravelmente mesmo!
Em 2009 no primeiro ano era um programa de 15 minutos, mais jornalístico e opinativo até do que humorístico.
Em 2010 ganhou mais 15 minutos e com isso colocamos alguns quadros, como Momento Hum Hum, Furo do Dia, testamos a idéia de colunas semanais (Retweet com William Bonner do Gui Santana, Quanto Ganha e Controle Remoto do Bruno Motta q tb era roteirista).
Em 2011 o programa continuou ganhando quadros (e ficando cada vez mais maluco aproveitando todo talento e sintonia de Dani e Bento), mas desistimos da idéia das colunas semanais por perceber que a audiência queria Dani e Bento. Quando muito, chamávamos pessoas pra participar COM a Dani e o Bento juntos (Gui Santana, Adriana Lessa, Angela Bismarchi, Raphael Veles, etc.)...
Já em 2012 ganhamos um chroma pra poder explorar mais as notícias fora da bancada. Então agora temos correspondentes em algumas notícias, reconstituições dramáticas (do assalto ao Michel Teló pra mim foi a mais engraçada rs), entrevistas fake (com menor homem do mundo, com Barack Obama, etc.).
Estamos tentando nos renovar ano a ano e manter o fôlego. na MTV é raro algum programa durar mais que 1 ano, que dirá 4.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
A Paródia e o Caráter Performático [Marcos Antunes] #2
Infelizmente, uma das minhas propostas para esta segunda postagem não pode ser concretizada. A palestra de abertura no dia 6 deste mês, com Laerte, foi cancelada. O cartunista teve sua casa invadida e seus computadores (que continham quase 20 anos de trabalho) furtados. Dessa forma não foi possível me encontrar pessoalmente com o principal nome da minha pesquisa para esclarecer dúvidas sobre o processo de criação e mudança da personagem Hugo na personagem Muriel. Assim, estendi os textos de Rachel Moreno e Carlos Figari para o final do semestre, justamente por estes abordarem de forma mais específica o gênero feminino já construído socialmente e as consequências performativas deste.
Tocando no assunto da performance, uma autora que tem me ajudado a elucidar este assunto e a forma com que ele é representado na mídia é Butler. No seu texto “Corpos que Pesam” o conceito de paródia abordado me esclareceu muito sobre o caráter performativo do gênero, e os diversos conceitos de identidade que obrigam o indivíduo a incorporar sentimentos de pertencimento, e por consequência exclusão. A “paródia” de Butler nos diz de modelos predefinidos (metafisicamente) na conjuntura social que são apropriados pelos indivíduos de forma subjetiva e são exteriorizados através das performances do indivíduo, projetando assim esta “paródia” de um modelo cristalizado.
As tirinhas de Laerte, nesse momento de seu trabalho, vem para chocar justamente com as cristalizações pré-definidas de modelo performático, tanto no concernente aos “dispositivos” de Foucault (citados no último post) quando nos usos das próteses (extensões do corpo que auxiliam na exteriorização de uma paródia de gênero ou identidade). Margaret Mead é outra autora, uma antropóloga, que tem me auxiliado na compreensão destes modelos. O esquema abaixo, desenvolvido a partir da leitura de seus textos, demonstra os padrões normativos esperados pela sociedade, e a tirinha em seguida uma crítica ferrenha à não consideração das identidades performativas existentes entre as inúmeras possibilidades de combinação e deslocamentos nesta.
| Sexo (Biológico) | Gênero (Social) | Identidade (Performática) | Sexualidade (Subjetiva) | |
| PADRÃO | Macho | Masculino | Homem | Heterossexual |
| PADRÃO | Fêmea | Feminino | Mulher | Heterossexual |
Tirinha: http://murieltotal.zip.net/
Os primeiros passos de Burton [Barbara Nery] #1
Stalk Of The Celery Monster foi o primeiro que consegui assistir. Trata-se de uma animação feita a lápis, com técnicas bem simples, mas muito bem feita. O tema de terror conversa com a estética em preto e branco presente na maior parte das cenas.
Doctor of Doom, por sua vez, é um curta filmado. Caseiro, o filme conta com a participação do próprio Burton como ator. Sua temática envolve monstros e hipnose, mantendo um clima de terror durante a narrativa.
Já o curta Luau mostra-se ainda bem amador, cuja narrativa se passa em uma praia. É o primeiro curta que foge um pouco da estética primária de Burton, pois mostra cenas mais coloridas e ainda, abusa da comédia. Sua temática, porém, é bizarra, envolvendo uma disputa de surf, cabeça alienígena sem corpo e outras paranoias.
Vincent vem a seguir, um stop motion baseado em um poema de Burton. O curta conta com a narração de Vincent Price, ator admirado por Tim. A temática se apropria do universo fantasioso infantil, em que um garotinho se imagina em cenas dramáticas de terror.
Dando continuidade, surge o primeiro filme comercial, com quem Tim Burton trabalhou com uma equipe de profissionais: o também infantil Frankenweenie. O filme conta a história de um garoto que, após ter seu cão atropelado, o traz a vida novamente através da ciência. Mesmo com um final feliz, o filme sofreu algumas censuras ao público infantil pela temática que aborda morte e "monstros".
Pee Wee's Big Adventure, por sua vez, é um filme que conta a história de Pee Wee, que se aventura pelo páis atrás de sua bicicleta perdida. Com tom extremamente cômico, a toque burtoniano se dá pela trama que envolve motoqueiros, um caminhão fantasma e cowboys.
Nem todos os filmes propostos foram assistidos, alguns por não terem sido encontrados, outros por falta de tempo, que será recuperado nas próximas duas quinzenas. Decidi, por conta disso, abandonar as produções feitas para TV.
Como encerramento do post, fica a perceptível evolução dos curtas amadores de Tim até suas primeiras produções na Disney, sempre mantendo uma temática recorrente e um estilo extremamento único.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Georges Méliès, o primeiro homem a pisar na Lua [Camila Santos] #2
Este segundo post irá tratar do período em que o cinema mudo, realmente, tendeu ao desenvolvimento. A primeira década do séc. XX além de implantar a arte na linguagem cinematográfica, mercantilizou seu conteúdo a ponto de torná-lo um dos produtos mais rentáveis da época.No entanto, sua linguagem claramente influenciada pelo teatro, “Toda ação era enquadrada como se o espectador estivesse sentado na primeira fila do teatro. Sem closes nem planos.” (SABADIN, Celso. 1997. p. 67), também não conseguiu sobreviver durante muito tempo, uma vez que valia-se apenas de técnicas artesanais e o sentimento capitalista da segunda revolução industrial já era vigente em tal período.
(sugiro, pelo menos, o trecho entre 3:00 e 6:20)
Sombras móveis: atualidade no cinema mudo. NAZÁRIO, Luiz. Belo Horizonte: Editora UFMG: Midia@rteUFMG, 1999. 334 p.
A segunda parte da mostra cinematográfica de Ana Gusmão, da qual também já me referi no primeiro post e alguns vídeos provenientes do site Youtube.
Imagens do filme "Viagem à Lua".
Temática social e a censura–Rap na década de 90 [Mariana Moraes] #2
Y SO MANY MEMES?! [Daniella Rodrigues] #2
Antes de começar as pesquisas para o meu Projeto A2, eu acreditava que “meme” era o termo utilizado para se referir exclusivamente aos personagens mal desenhados de quadrinhos que expressavam histórias com situações frustrantes ou engraçadas, originadas tanto de situações
cotidianas ou do fruto da própria criatividade individual e coletiva. Entretanto, como dito no post anterior, “meme” se refere a algo bem mais amplo e complexo que isso.
A partir deste post em diante, abordarei tipos diferentes de memes que encontramos disponíveis na web, iniciando com os de ilustração (um dos mais famosos que, talvez por isso, me fez ter essa primeira impressão errada do termo).
Os memes de ilustração podem ser de vários tipos, como um desenho, geralmente em preto e branco. Alguns são caricaturas, como o Trollface, alguns são "homens palitos", como o Fuck Yeah, e alguns são claramente uma fotografia adaptada para um desenho, como o Are You Serious Face.

Coloquialmente falando, memes são entendidos como ideias, brincadeiras, jogos, piadas ou
comportamentos que se espalham através de sua replicação de forma viral, e caracterizados pela
repetição de um modelo formal básico a partir da qual as pessoas podem produzir diferentes
versões do mesmo meme. Interessante falar desse ponto em relação ao memes de ilustração pois estes possibilitam aos internautas a intervenção cada vez mais presente na produção e no compartilhamento de virais, uma vez que é fácil editar um quadrinho ou uma imagem, basta, primeiramente, ter acesso a computadores e softwares de edição e, segundo, da própria criatividade do internauta.
Usando como exemplo o meme “Rageguy”, também conhecido como “Ffffuuuu”, bastante
popular a partir do final de 2008, percebemos claramente como isso ocorre.

O nome Rageguy refere-se ao personagem principal de uma série de quadrinhos toscamente desenhados, que consiste em quatro painéis retratando situações irritantes, na qual o personagem principal, como resultado, grita com raiva. Devido à sua simplicidade e exploração, Rageguy se tornou extremamente popular, dando continuidade a uma série de quadrinhos agora conhecida como “Rage Comics”.
O primeiro quadrinho de Rageguy veio em 2008 no 4chan. - É interessante ressaltar que a maior parte dos memes bem sucedidas surge longe dos lugares mais conhecidos da web, nos cantos escuros e pouco regulados da Internet, como os caóticos fóruns de discussão ou os chans, onde a maioria dos frequentadores permanecem anônimos. A partir dali é que eles
emergem para circular através de blogs e de redes sociais como o Myspace, Facebook, Orkut
ou Twitter.
Depois do primeiro quadrinho, outros derivados começaram a aparecer. O formato do comics permaneceu, na sua maior parte, o mesmo, com o exemplo da raiva indutora sendo descrito nos primeiros três painéis e a face Rageguy gritando no quarto. O próprio Rageguy também evoluiu e foi modificado com o contexto de cada história, podendo ter o perfil de um idoso, de uma criança, etc.
É possível, dessa forma, identificar como as versões do Rageguy relaciona-se com a ação criativa e consciente das pessoas, dentro de uma enorme gama de possibilidades oferecidas pelo replicador original. Então, no caso desses tipos de memes, percebemos que a facilidade de criação e modificação é um elemento que estimula a participação das pessoas comuns, pois como o modelo básico é simples e a qualidade demandada para as intervenções não é muito exigente, torna-se muito fácil participar produzindo uma versão “original”, ao invés de apenas retransmitir um já existente. Talvez isso seja o fator que deixou os memes desse tipo, de certa forma, com extrema popularidade.
--
Referências Bibliográficas interessantes usadas no post:
è http://knowyourmeme.com/
è http://www.abciber.com.br/simposio2009/trabalhos/anais/pdf/artigos/2_entretenimento/eixo2_art18.pdf (Fontanella, Fernando. O que é um meme na Internet? Proposta para uma problemática da memesfera, 2009)
O Pif Paf de Millôr - Parte 2 [Isabella Lucas] #2
"Quem avisa, amigo é: se o governo continuar deixando que certos jornalistas falem em eleições; se o governo continuar deixando que determinados jornais façam restrições à sua política financeira; se o governo continuar deixando que alguns políticos teimem em manter suas candidaturas; se o governo continuar deixando que algumas pessoas pensem por sua própria cabeça; e sobretudo, se o governo continuar deixando que circule esta revista, com toda sua irreverência e crítica, dentre em breve estaremos caindo numa democracia". (PifPaf, 1964: n° 8)
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Propagandas Aqui e Lá [Filipe Mendonça] #2
Agora que já introduzi o tema, vou analisar o comercial de uma mesma marca em diferentes países (ou continentes). A campanha "Reasons to Believe" (razões para crer, em português), que a Coca-Cola lançou recentemente em comemoração aos seus 125 anos e foi divulgada em todo o mundo tem o objetivo de passar otimismo e dar motivos para as pessoas acreditarem em um futuro melhor através da apresentação de estatísticas. Primeiro vamos analisar a propaganda original, que foi feita pela agência de publicidade da Coca-Cola na Colômbia:
Como se pode ver a propaganda apresenta valores bem universais: amor, paz, família, solidariedade, etc. Como dito, ela é originalmente da Colômbia e acabou virando a campanha mundial da Coca-Cola. Porém, foram feitas algumas modificações em alguns países - umas pequenas, outras marcantes. No Brasil, a propaganda é praticamente a mesma, mas uma das estatísticas apresentadas diz respeito ao meio-ambiente e ao fato do Brasil já reciclar 98% das latinhas de alumínio (nada que chame muito a atenção). Na propaganda que foi veiculada na Índia, na África, e na Venezuela, por outro lado, a diferença é bem mais notável.
Na Índia a trilha sonora da propaganda foi substituída por uma canção do país, e as estatísticas já são mais características do local (diminuição da taxa de analfabetismo, por exemplo). Na África (vídeo abaixo), além de também terem trocado a trilha, o nome da campanha chegou a mudar de "Reasons to Believe" para "A Billion Reasons to Believe in Africa", mostrando estatísticas exclusivamente africanas em contraste com o mundo, ou seja, está mais para uma campanha "enquanto o mundo piora, a África está melhorando" do que a original que mostrava razões para acreditar em um mundo melhor. Assim como na propaganda africana, na Venezuela também ocorre uma valorização do país e não do mundo como um todo.
Mas por quê a campanha se alterou tanto nesses países?
Além de ser um dos países que mais crescem economicamente, a Índia, que tem uma população bem tradicional, busca reconhecimento e expressão de seus valores, e por isso apresenta, de certa forma, um pouco de resistência à "ocidentalização". Isso pode ser visto, por exemplo, pelo crescimento do cinema nacional, que faz mais sucesso que o estrangeiro (diferente do que acontece no Brasil e muitos outros países mais influenciados pelos EUA). Para ser melhor aceita e ter maior relação com o público, a propaganda foi alterada.
O continente africano, por sua história de exploração e ainda recente desigualdade em relação aos outros continentes, é vista (tanto pelos nativos quanto pelos estrangeiros) como uma parte excluída do resto do mundo. Dessa forma, é mais impactante para os africanos se sentirem melhores e rumo à igualdade aos outros países do que ver que o "mundo" - do qual se sentem excluídos - melhorando. A campanha venezuelana, por sua vez, é também uma comemoração aos 200 anos de independência do país, mas deve se levar em conta também que é governada por um presidente populista e que não mantém boas relações econômicas com os EUA, logo, é importante para a Coca-Cola apresentar um discurso que valorize o país tanto para atrair o público quanto para se manter uma boa convivência com o governo.
Esse foi um exemplo de como a cultura de um país pode influenciar o marketing - mesmo sendo de uma grande marca como a Coca-Cola.
Imagine a city where graffiti wouldn't be illegal [Júlia Amaral] #2
A identidade do artista é desconhecida - pena que não pude comprá-la quando estava sendo ofertada no eBay. Existem reportagens que teriam sido feitas com ele, divagações sobre como ele lucra com a mídia que critica, especulações de que ele tira renda de seu trabalho vendido por agentes, discussões sobre sua rixa com Robbo e até editoriais inspirados na figura mítica de Banksy. Essas curiosidades, porém, foram descobertas com uma rápida pesquisa no Google; não foram meu foco, nem consumiram muito tempo em minha quinzena de estudos sobre arte urbana.
Nas últimas duas semanas, dediquei-me a selecionar trabalhos no livro "Wall and piece" e assisti novamente o filme "Exit through the gift shop", ambos projetos de Banksy. Por meio destes e de seu site, pude observar algumas características do artista britânico: Banksy demonstra ironia frequentemente e apresenta fortes críticas à sociedade capitalista em todas as suas formas (consumismo, elitização da arte, exploração dos recursos naturais, publicidade e propaganda).
Um tema recorrente nas obras e falas do artista é a publicidade. Banksy afirma que as empresas vandalizam a cidade, espalhando seus slogans por todas as partes, incitando o indivíduo a comprar seus produtos. Essas mesmas empresas não entendem graffiti, porque acreditam que nada pode existir a menos que gere lucro. Banksy ainda ironiza dizendo que graffiti só é perigoso para três tipos de pessoas: políticos, publicitários e graffiteiros. A manifestação nos muros é a melhor forma de contra-atacar e responder as empresas, segundo o artista.
Um trecho do livro "Wall and piece" apresenta outra crítica, à elitização da arte. Tomei a liberdade de traduzi-lo livremente: "Ao contrário do que muitos dizem, graffiti não é a forma mais baixa de arte. (...) essa é, na verdade, uma das formas de arte mais honestas disponíveis. Não há elitismo ou hypeness, ela exibe-se nos melhores muros da cidade e niguém é excluido pelo preço da entrada.". A ideia transmitida assemellha-se à proposta por Shepard Fairey, como relatarei em meu próximo post.
BANKSY. Wall and piece. Editora Random House UK, 2007, 240 p.
















