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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Felicidade e consumo na obra de Baudrillard [Matheus Couto] #2


Tive alguns problemas para o meu projeto que impossibilitaram o meu segundo post. Comprei o livro “A sociedade de consumo” pela internet e até hoje ele não chegou. Como na época, o livro não estava disponpivel na biblioteca, acabei atrasando todo o processo. Mas agora o cronograma do meu projeto está regularizado.
Sobre o livro “A sociedade de consumo” do autor Jean Baudrillard, considero a leitura tranquila e bastante instigante. Recomendo o livro, que na biblioteca apresenta o nº de chamada 194.9 B342so.PM.
Na obra, Baudrillard defende a ideia de que a felicidade é o que gera a sociedade de consumo. A busca pela felicidade não seria algo instintivo ou natural, e sim algo externo a nós. Dessa forma, a felicidade atual precisaria ser mensurável, ou seja, precisaria de signos/objetos que representem esse bem estar. O autor também relaciona a questão do mito da igualdade com essa busca pela felicidade, uma vez que a felicidade seria um bem para todos (todos tem o direito da felicidade), porém, como está atrelada ao consumo, nem todos conseguirão alcança-la. A felicidade plena para todos nunca será possível.
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sexta-feira, 25 de maio de 2012

As notícias de um jeito que você nunca viu - [Débora Vieira] #1 e #2

Estou com meu cronograma bastante atrasado, pois percebi que era necessário assistir a mais edições anteriores do Furo MTV para diagnosticar suas mudanças durante os quatro anos em que está no ar (2009 a 2012). Durante essa fase inicial de pesquisa assisti a 36 edições do programa em 2009, sendo 5 de datas especiais como o programa no dia da mentira (01/04/09), na páscoa (13/04/09), na véspera de Tiradentes (20/04), na véspera do Dia dos Namorados (11/06/09) e no Dia das Crianças (12/09/09). Também assisti a 8 edições do programa em 2010, sendo um de data especial: o programa no dia da mentira (01/04/10). Pra analisar melhor as mudanças do programa, e o que foi incorporado ao Furo MTV em 2010 vou assistir a mais 15 programas até a terceira postagem.
O Furo é um programa da MTV, apresentado por Dani Calabresa e Bento Ribeiro. Furo MTV foi ao ar pela primeira vez no dia 02/03/2009 e tinha apenas 15 minutos de duração. Em 2010 o programa ganha mais espaço na emissora, e passa contar com 30 minutos de duração, permanecendo assim até hoje. Em 2009 o programa era exibido às 22:15h, em 2010 começou a ir ao ar mais cedo, às 22h.
Durante o programa, Dani e Bento fazem piadas com notícias do Brasil e do Mundo e com o que foi falado e dito por celebridades. Em 2009, o programa tinha uma estética e um caráter muito mais jornalístico. A roupa dos apresentadores se assemelhava mais a de âncoras de telejornal, principalmente a de Dani calabresa, pois Bento ainda hoje utiliza a camisa social, gravata e palitó. Já Dani Calabresa usava terninhos em 2009 e ao longo de 2010 começou a utilizar roupas menos formais e mais despojadas, perdendo essa estética da roupa de uma apresentadora de telejornal. E a maior semelhança com o telejornal não para na estética. As próprias notícias tinham um caráter mais jornalístico, em 2009 os apresentadores se alongavam um pouco mais em explicar o fato para depois fazer a piada, além disso, ela tinha um caráter maior de denúncia, focava-se muito na editoria "Política". Já em 2010, as piadas começam a se diversificar e as com um caráter de denúncia não são as principais mais. Passa a se fazer mais comédia pela comédia, em 2009 a comédia era uma maneira encontrada para denunciar determinados acontecimentos., é claro que também eram feitas piadas sem esse maior engajamento, como por exemplo, piadas com a vida de celebridades, mas esse não era o foco principal do programa. Do mesmo modo, em 2010 continua havendo críticas a política, mas o programa deixa de focar nessa editoria. Com isso, o Furo MTV passa a ter mais características e a se identificar mais como um programa de comédia, o foco passa a ser o humor, como este será usado para dar uma notícia, e não a notícia contada com uma dose de humor.
Tanto em 2009 quanto em 2010 o programa começa com Dani Calabresa e Bento Ribeiro em uma conversa informal, como se eles não tivessem notado que já estão no ar.

Os início dos vídeos abaixo ilustram essa situação:


A mudança em relação a abertura do Furo MTV em 2010 foram os Tops de 5 segundos. Estes são exibidos antes do programa começar e tem conteúdo variado, pode ser 5 maneiras de fazer algo, 5 piadas sobre determinado fato, 5 ditados populares contados de outra forma, dentre vários outros assuntos. E essa ideia de fazer top de 5 segundos lembra bastante o que ocorre em outras emissoras, quando se tem o toque de 5 segundos antes do começo de algum programa. Abaixo alguns exemplos de Top de 5 segundos do Furo MTV em 2010.

 



Em 2009, o programa tinha um quadro chamdo "Repórter Didi" que era exibido toda segunda e quarta-feira. Nesse quadro o repórter Didi F apresentava uma matéria sobre algum assunto mais do cotidiano, algo mais trivial, como é exemplificado pelos vídeos abaixo:

  
  

Em muitas edições do programa, os apresentadores fazem piada e satirizam o próprio Furo MTV, fazem piadas em relação a sua audiência, a sua qualidade e uns com os outros.

"Só 15 pessoas assistem" CALABRESA, Dani.16/10/10 - Furo MTV
"Imprestável que fuma e vem de chinelo" Dani se referindo ao Bento no programa do dia 13/10/10
" -Você vai conferir hoje no Furo MTV (Bento diz)
-Só hoje, porque amanhã eu não quero voltar (Dani diz)" Programa do dia 07/04/2010
"Jornal tão inteligente que a gente precisa ficar explicando a piada" CALABRESA, Dani.26/03/09 - Furo MTV
"O jornal que você só conhece, porque já acabou a novela da globo e porque a novela do SBT é um lixo" RIBEIRO, Bento. 13/10/10 - Furo MTV
"A gente se esforça para fazer um jornalismo besta, mas é sempre superado" RIBEIRO, Bento. 25/08/09 - Furo MTV
"Furo do dia de hoje. Programa ta acabando, Graças a Deus" RIBEIRO, Bento. 26/04/10 - Furo MTV

Nas edições do programa de 2009, os apresentadore muitas vezes definem o programa como jornalístico em suas frases, ao se referir ao Furo MTV como um telejornal, mas como utilizam da ironia em muitas dessas sentenças, acabam por desconstruir a afirmação de que é um jornal e reafirmando o caráter de comédia do programa.

"Jornal que o Bonner quer apresentar, mas a Globo jamais colocaria no ar" Dani Calabresa
"Jornalismo sério que a gente ta faznedo por aqui"
"Desse jeito serelepe é só aqui mesmo"
"Notícias sérias contadas de forma zuada em 10 segundos"
"O jornal mais equilibrado da TV desde que Fernando Vanute cobriu a Copa meio trilelê
"O Jornal que o Boris Casoi poderia apresentar se tivesse outro bordão além de 'isso é uma vergonha'"
"Ao contrário de muitos jornais a gente tem memória e quando a gente não tem as pessoas sopram as coisas para a gente"
"Mais notícias você vê no jornal" (fala da Dani ao encerrar o programa do dia 07/04/09)
"O jornal que você adora, mas tem vergonha de dizer que assiste"

Em 2010 o quadro Repórter Didi é extinto. Didi F ganha um novo quadro chamado "Brilha o pensamento com Didi" no qual ele comenta sobre as celebridades.


Em 2010 o programa ganha um novo quadro de externas, é o quadro "O Estagiário", no qual um suposto estagiário do Furo MTV faz matérias para o programa, que na avaliação dos apresentadores sempre fica péssima, reforçando a ideia de estagiário como alguém que nunca faz nada direito. Exemplo desse quadro "O estagiário" pode ser visto a partir dos 4 minutos e 30 segundos do vídeo abaixo.





Um dos quadros mais marcantes de 2009 é o "giro de notícias", no qual os apresentadores falam rapidamente sobre notícias do Brasil e do Mundo.
Em 2010 o quadro se desdobrou em dois: "Giro Brasil" e "Giro Mundo"

Outros quadros foram acrescentados em 2010, mas falarei mais sobre estes na próxima postagem.

Além de assistir aos episódios durante esse período de pesquisa, eu fiz contato com um dos roteiristas do Furo MTV: Pedro HMC. Ele é roteirista desde 2010 e avaliou rapidamente as mudanças que ocorreram no programa ao longo desses 4 anos:

"Ao longo dos anos o Furo foi mudando consideravelmente mesmo! Esse ano de 2012 foi o que teve mais mudanças, e (surpreendentemente, porque achei q por ser o 4o. ano, coisa rara em se tratando de programa da MTV, o Furo daria uma caída) melhorou bastante!

Em 2009 no primeiro ano era um programa de 15 minutos, mais jornalístico e opinativo até do que humorístico.

Em 2010 ganhou mais 15 minutos e com isso colocamos alguns quadros, como Momento Hum Hum, Furo do Dia, testamos a idéia de colunas semanais (Retweet com William Bonner do Gui Santana, Quanto Ganha e Controle Remoto do Bruno Motta q tb era roteirista).

Em 2011 o programa continuou ganhando quadros (e ficando cada vez mais maluco aproveitando todo talento e sintonia de Dani e Bento), mas desistimos da idéia das colunas semanais por perceber que a audiência queria Dani e Bento. Quando muito, chamávamos pessoas pra participar COM a Dani e o Bento juntos (Gui Santana, Adriana Lessa, Angela Bismarchi, Raphael Veles, etc.)...

Já em 2012 ganhamos um chroma pra poder explorar mais as notícias fora da bancada. Então agora temos correspondentes em algumas notícias, reconstituições dramáticas (do assalto ao Michel Teló pra mim foi a mais engraçada rs), entrevistas fake (com menor homem do mundo, com Barack Obama, etc.).

Estamos tentando nos renovar ano a ano e manter o fôlego. na MTV é raro algum programa durar mais que 1 ano, que dirá 4. Felizmente acho que estamos conseguindo se renovar sem perder a essência e mantendo a audiência! " Pedro HMC, Roteirista do Furo MTV

 



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quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Paródia e o Caráter Performático [Marcos Antunes] #2

Infelizmente, uma das minhas propostas para esta segunda postagem não pode ser concretizada. A palestra de abertura no dia 6 deste mês, com Laerte, foi cancelada. O cartunista teve sua casa invadida e seus computadores (que continham quase 20 anos de trabalho) furtados. Dessa forma não foi possível me encontrar pessoalmente com o principal nome da minha pesquisa para esclarecer dúvidas sobre o processo de criação e mudança da personagem Hugo na personagem Muriel. Assim, estendi os textos de Rachel Moreno e Carlos Figari para o final do semestre, justamente por estes abordarem de forma mais específica o gênero feminino já construído socialmente e as consequências performativas deste.

Tocando no assunto da performance, uma autora que tem me ajudado a elucidar este assunto e a forma com que ele é representado na mídia é Butler. No seu texto “Corpos que Pesam” o conceito de paródia abordado me esclareceu muito sobre o caráter performativo do gênero, e os diversos conceitos de identidade que obrigam o indivíduo a incorporar sentimentos de pertencimento, e por consequência exclusão. A “paródia” de Butler nos diz de modelos predefinidos (metafisicamente) na conjuntura social que são apropriados pelos indivíduos de forma subjetiva e são exteriorizados através das performances do indivíduo, projetando assim esta “paródia” de um modelo cristalizado.

As tirinhas de Laerte, nesse momento de seu trabalho, vem para chocar justamente com as cristalizações pré-definidas de modelo performático, tanto no concernente aos “dispositivos” de Foucault (citados no último post) quando nos usos das próteses (extensões do corpo que auxiliam na exteriorização de uma paródia de gênero ou identidade). Margaret Mead é outra autora, uma antropóloga, que tem me auxiliado na compreensão destes modelos. O esquema abaixo, desenvolvido a partir da leitura de seus textos, demonstra os padrões normativos esperados pela sociedade, e a tirinha em seguida uma crítica ferrenha à não consideração das identidades performativas existentes entre as inúmeras possibilidades de combinação e deslocamentos nesta.

  Sexo (Biológico) Gênero (Social) Identidade (Performática) Sexualidade (Subjetiva)
PADRÃO Macho Masculino Homem Heterossexual
PADRÃO Fêmea Feminino Mulher Heterossexual

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Tirinha: http://murieltotal.zip.net/

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Os primeiros passos de Burton [Barbara Nery] #1

Se engana quem acredita que o portfólio do Tim Burton se resume a superproduções bilionárias. Seus primeiros curtas começaram a ser produzidos quando Burton tinha apenas 13 anos.
Stalk Of The Celery Monster  foi o primeiro que consegui assistir. Trata-se de uma animação feita a lápis, com técnicas bem simples, mas muito bem feita. O tema de terror conversa com a estética em preto e branco presente na maior parte das cenas.
Doctor of Doom, por sua vez, é um curta filmado. Caseiro, o filme conta com a participação do próprio Burton como ator. Sua temática envolve monstros e hipnose, mantendo um clima de terror durante a narrativa.
Já o curta Luau mostra-se ainda bem amador, cuja narrativa se passa em uma praia. É o primeiro curta que foge um pouco da estética primária de Burton, pois mostra cenas mais coloridas e ainda, abusa da comédia. Sua temática, porém, é bizarra, envolvendo uma disputa de surf, cabeça alienígena sem corpo e outras paranoias.
Vincent vem a seguir, um stop motion baseado em um poema de Burton. O curta conta com a narração de Vincent Price, ator admirado por Tim. A temática se apropria do universo fantasioso infantil, em que um garotinho se imagina em cenas dramáticas de terror. 


Dando continuidade, surge o primeiro filme comercial, com quem Tim Burton trabalhou com uma equipe de profissionais: o também infantil Frankenweenie. O filme conta a história de um garoto que, após ter seu cão atropelado, o traz a vida novamente através da ciência. Mesmo com um final feliz, o filme sofreu algumas censuras ao público infantil pela temática que aborda morte e "monstros".
Pee Wee's Big Adventure, por sua vez, é um filme que conta a história de Pee Wee, que se aventura pelo páis atrás de sua bicicleta perdida. Com tom extremamente cômico, a toque burtoniano se dá pela trama que envolve motoqueiros, um caminhão fantasma e cowboys.
Nem todos os filmes propostos foram assistidos, alguns por não terem sido encontrados, outros por falta de tempo, que será recuperado nas próximas duas quinzenas. Decidi, por conta disso, abandonar as produções feitas para TV.
Como encerramento do post, fica a perceptível evolução dos curtas amadores de Tim até suas primeiras produções na Disney, sempre mantendo uma temática recorrente e um estilo extremamento único.
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terça-feira, 15 de maio de 2012

Georges Méliès, o primeiro homem a pisar na Lua [Camila Santos] #2


Este segundo post irá tratar do período em que o cinema mudo, realmente, tendeu ao desenvolvimento. A primeira década do séc. XX além de implantar a arte na linguagem cinematográfica, mercantilizou seu conteúdo a ponto de torná-lo um dos produtos mais rentáveis da época.

O público já estava se cansando das exibições repetitivas dos irmãos Lumière, que apresentavam, dentre outras coisas, carros, trens e pessoas apenas passando nas ruas quando Georges Méliès traz, do teatro e dos espetáculos de mágica, uma atmosfera de fantasia para as produções silenciosas e resgata o furor das pessoas em relação ao novo meio. Ou seja, o cinema estava passando por um declínio (a pouquíssimos anos de sua invenção), mas o problema não estava na tecnologia, estava nos filmes.

E assim, Méliès trouxe a ficção para o cinema; o contar histórias, tão aclamado e ao mesmo tempo tão polêmico durante toda a historiografia da sétima arte.  Os irmãos Lumière dedicaram-se a divulgação do aparelho, eram empresários, enquanto Méliès, artista, apostou em filmes nos quais podia imprimir sua imaginação. Seus pequenos truques, porém geniais, foram os responsáveis pelo sucesso do produtor. Cenário, figurino, iluminação, efeitos especiais... o primeiro ET, as primeiras decapitações, a primeira viagem a Lua. O francês superou a limitação temática dos Lumière, seus filmes tangiam a magia de uma forma que o público da época jamais poderia imaginar. “Viagem a Lua”, de 1902, pode ser considerada um dos primeiros filmes de ficção da história. É fantástico assisti-lo e pensar o quão revolucionário deve ter sido na época. Ainda que para nós, do séc. XXI, pareça primitivo.

 No entanto, sua linguagem claramente influenciada pelo teatro, “Toda ação era enquadrada como se o espectador estivesse sentado na primeira fila do teatro. Sem closes nem planos.” (SABADIN, Celso. 1997. p. 67), também não conseguiu sobreviver durante muito tempo, uma vez que valia-se apenas de técnicas artesanais e o sentimento capitalista da segunda revolução industrial já era vigente em tal período.

Charles Pathé, também francês, foi o mediador, capaz de unir o empreendedorismo dos Lumière à arte de Méliès, tornando-se, com o isso, o “O magnata da indústria cinematográfica”, bem como disse Celso Sabadin. Implantou a exibição em massa e o aluguel de filmes, atividades que se mostraram extremamente rentáveis.  O cinema se tornou indústria e se alastrou pelo mundo. Seus filmes, apesar de famosos e mais desenvolvidos, tecnologicamente falando, em relação aos de Méliès, não eram tão originais e criativos como os dele. O foco se tornou, realmente, a atividade comercial.

Desta forma, tal período da história do cinema também se viu representada na exibição cinematográfica: A história do cinema mudo ao vivo. A qual eu acompanhei e pude notar, já na segunda etapa do projeto, a evolução pela qual o cinema mudo atravessou. No lugar de pequenas filmagens do cotidiano, apareceram filmes um pouco maiores e enredados, a narrativa já estava presente e as películas mais elaboradas, também no que diz respeito às técnicas. Mas, ainda sem muitas sofisticações, é verdade, porém no lugar disso, há um fascínio em ver como  cada passo  foi sendo dado bem devagar e em imaginar como o cinema, em versão muda, era uma tecnologia avançadíssima na época.


ASSISTA:

"Viagem à Lua", de Georges Méliès 
(sugiro, pelo menos, o trecho entre 3:00 e 6:20)







Nesta quinzena, percebi algo que, inclusive, a Regiane já havia me alertado. Adotei uma quantidade significativa de obras literárias sobre a história do cinema e elas acabaram se tornando repetitivas. Por isso, resolvi deixar algumas menos objetivas de lado e adotei como referencia apenas:

SABADIN, Celso; EWALD FILHO, Rubens; RAMALHO JUNIOR, Francisco. 3ª ed. rev. São Paulo: Summus, 2009. 223 p.

Sombras móveis: atualidade no cinema mudo. NAZÁRIO, Luiz. Belo Horizonte: Editora UFMG: Midia@rteUFMG, 1999. 334 p.

A segunda parte da mostra cinematográfica de Ana Gusmão, da qual também já me referi no primeiro post e alguns vídeos provenientes do site Youtube.

Imagens do filme "Viagem à Lua".
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Temática social e a censura–Rap na década de 90 [Mariana Moraes] #2

Primeiro disco do Planet Hemp, entitulado de "Usuário".Nessa quinzena eu propus a conhecer melhor o rap brasileiro durante a década de 90. Foi exatamente nessa época em que os grupos passaram em sua maioria a abordar temas sociais. Racionais MC’s dando continuidade no trabalho da década anterior lançou o primeiro disco só deles, intitulado “Holocausto Urbano”, mas foi em 1993 com o lançamento de Raio X Brasil que o grupo deslanchou e levou 10 mil pessoas para um show, logo em seguida sendo convidado para abrir um show da banda norte-americana Public Enemy. Grupos como Racionais MC’s são considerados rap alternativo, exatamente por não aceitar imposições das gravadoras no que diz respeito à temática de suas músicas, além disso, se preocupam em fazer uma crítica que abra os olhos de quem a ouve.
Ainda no ano de 1993, no Rio de Janeiro, MV Bill fazia parte de uma coletânea – “Tiro Inicial” – que seria decisiva para a continuidade da sua carreira. Além disso, nesse ano surgia o Planet Hemp (originalmente composto por Marcelo D2, Skunk, Rafael, BNegão, Formigão e Bacalhau). Diferentemente dos citados anteriormente, esse grupo dava um enfoque bem maior a questão da legalização da maconha, o primeiro álbum do grupo “Usuário” (foto à esquerda), com hits como “Legalize já” (veja aqui), que inclusive teve o clipe severamente censurado, vendeu mais 140 mil cópias.
Devido aos fatos que colhi, li ainda nessa quinzena a dissertação de Pedro Santos Mundim “Das rodas de fumo à esfera pública: o discurso de legalização da maconha nas músicas do Planet Hemp”. Além disso, descobri que ainda no ano de 1993 surgia em São Paulo o grupo Facção Central, composto por pessoas que cresceram expostas à miséria, à violência de todas as formas e ao tráfico de drogas, suas músicas retratavam essa realidade de forma contundente e polêmica. Por essa postura sofreram ameaças policiais, prisões e por parte da mídia forte censura, o clipe “Isso aqui é uma guerra” foi proibido de ser veículado pela televisão.
Videoclipe da música “Isso aqui é uma guerra”.

Essa não era a primeira e nem seria a última vez em que a justiça e policiais ameaçaram rappers por causa de sua postura e principalmente de suas letras. No ano de 1992 o grupo Pavilhão 9 causou polêmica com o lançamento da música “Otários Fardados” (ouça aqui). Recentemente o episódio se repetiu, nesse domingo (dia 13/05), o rapper Emicida terminou seu show em Belo Horizonte sendo levado detido por desacato a autoridade. De acordo com o cantor a detenção seria devido à sua música “Dedo na ferida”, na qual ele fala sobre Pinheirinho e critica fortemente os políticos e a polícia, já de acordo com a polícia, o rapper haveria incentivado o público a fazer gestos obscenos para os policiais. A posição da mídia diante desse episódio se divergiu em alguns pontos (Uol, Belô Notícias, G1). Essa quinzena foi extremamente produtiva e com certeza algumas descobertas ficarão de fora do post, no entanto, todas estarão presentes na apresentação final.

Emicida, preso
Música “Dedo na Ferida”
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Y SO MANY MEMES?! [Daniella Rodrigues] #2

A expressão "Meme de Internet" é utilizada para descrever um conceito que se espalha através da Internet. Este meme pode se espalhar de pessoa para pessoa através das redes sociais, blogs, e-mail direto, fontes de notícias e outros serviços baseados na web, tornando-se geralmente viral.

Antes de começar as pesquisas para o meu Projeto A2, eu acreditava que “meme” era o termo utilizado para se referir exclusivamente aos personagens mal desenhados de quadrinhos que expressavam histórias com situações frustrantes ou engraçadas, originadas tanto de situações
cotidianas ou do fruto da própria criatividade individual e coletiva. Entretanto, como dito no post anterior, “meme” se refere a algo bem mais amplo e complexo que isso.

A partir deste post em diante, abordarei tipos diferentes de memes que encontramos disponíveis na web, iniciando com os de ilustração (um dos mais famosos que, talvez por isso, me fez ter essa primeira impressão errada do termo).

Os memes de ilustração podem ser de vários tipos, como um desenho, geralmente em preto e branco. Alguns são caricaturas, como o Trollface, alguns são "homens palitos", como o Fuck Yeah, e alguns são claramente uma fotografia adaptada para um desenho, como o Are You Serious Face.


                        Troll FaceFuck YeahAre You Serious Face

Coloquialmente falando, memes são entendidos como ideias, brincadeiras, jogos, piadas ou
comportamentos que se espalham através de sua replicação de forma viral, e caracterizados pela
repetição de um modelo formal básico a partir da qual as pessoas podem produzir diferentes
versões do mesmo meme.
Interessante falar desse ponto em relação ao memes de ilustração pois estes possibilitam aos internautas a intervenção cada vez mais presente na produção e no compartilhamento de virais, uma vez que é fácil editar um quadrinho ou uma imagem, basta, primeiramente, ter acesso a computadores e softwares de edição e, segundo, da própria criatividade do internauta.

Usando como exemplo o meme “Rageguy”, também conhecido como “Ffffuuuu”, bastante
popular a partir do final de 2008, percebemos claramente como isso ocorre.
O nome Rageguy refere-se ao personagem principal de uma série de quadrinhos toscamente desenhados, que consiste em quatro painéis retratando situações irritantes, na qual o personagem principal, como resultado, grita com raiva. Devido à sua simplicidade e exploração, Rageguy se tornou extremamente popular, dando continuidade a uma série de quadrinhos agora conhecida como “Rage Comics”.
Modelo Padrão do RageGuy
O primeiro quadrinho de Rageguy veio em 2008 no 4chan. - É interessante ressaltar que a maior parte dos memes bem sucedidas surge longe dos lugares mais conhecidos da web, nos cantos escuros e pouco regulados da Internet, como os caóticos fóruns de discussão ou os chans, onde a maioria dos frequentadores permanecem anônimos. A partir dali é que eles
emergem para circular através de blogs e de redes sociais como o Myspace, Facebook, Orkut
ou Twitter. 
Primeiro quadrinho do Rageguy

Depois do primeiro quadrinho, outros derivados começaram a aparecer. O formato do comics permaneceu, na sua maior parte, o mesmo, com o exemplo da raiva indutora sendo descrito nos primeiros três painéis e a face Rageguy gritando no quarto. O próprio Rageguy também evoluiu e foi modificado com o contexto de cada história, podendo ter o perfil de um idoso, de uma criança, etc.

RAGEGUY

É possível, dessa forma, identificar como as versões do Rageguy relaciona-se com a ação criativa e consciente das pessoas, dentro de uma enorme gama de possibilidades oferecidas pelo replicador original. Então, no caso desses tipos de memes, percebemos que a facilidade de criação e modificação é um elemento que estimula a participação das pessoas comuns, pois como o modelo básico é simples e a qualidade demandada para as intervenções não é muito exigente, torna-se muito fácil participar produzindo uma versão “original”, ao invés de apenas retransmitir um já existente. Talvez isso seja o fator que deixou os memes desse tipo, de certa forma, com extrema popularidade.

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Referências Bibliográficas interessantes usadas no post:
è     http://knowyourmeme.com/
è     http://www.abciber.com.br/simposio2009/trabalhos/anais/pdf/artigos/2_entretenimento/eixo2_art18.pdf (Fontanella, Fernando. O que é um meme na Internet? Proposta para uma problemática da memesfera, 2009)

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O Pif Paf de Millôr - Parte 2 [Isabella Lucas] #2



A coluna Pif Paf, da Revista O Cruzeiro, caracterizava-se por realizar, predominantemente, a crítica de costumes, mesclando poemas e sátiras, crônicas e fábulas em uma mesma página. A coluna foi definida como “uma elaborada combinação  de grafismos malcomportados e tiradas demolidoras, [onde] o cético Millôr levou a sério suas máximas livre pensar é só pensar e divagar e sempre”.QUEIROZ, Andréa Cristina de Barros.PIFPAF e Millôr: a densidade em tempos de efemeridade.) 

Pif Paf enquanto coluna diferenciava-se de Pif Paf revista principalmente quanto à temática de seu conteúdo. Enquanto a primeira era mais sutil e, de certa forma lúdica (havia a seção 'Composissão Infantiu), a segunda era mais comprometida com a crítica política (mas sem deixar de lado a critica de costumes). A razão para essa discrepância é clara: uma vez inserida em um jornal de uma grande cadeia, os Diários Associados, a coluna devia alinhar-se aos interesses deste veículo, não possuindo muita autonomia - tanto é que Millôr foi demitido d'O Cruzeiro justamente por ter escrito uma fábula que questionava a condição humana e os personagens bíblicos, contrariando os interesses religiosos. Já a revista Pif Paf, um veículo da imprensa alternativa, distinguia-se dos grandes jornais principalmente pelo não alinhamento político e pela oposição aos setores dominantes, pela hierarquia redacional e pela tentativa de independência financeira. 

Justamente por realizar a crítica ao regime militar e ter sido um periódico independente e sem anunciantes, a revista Pif Paf teve vida efêmera: durou apenas quatro meses, totalizando oito exemplares. O ponto forte a ser destacado na publicação é a irreverência de seus autores, que faziam piada da dor, como gostava de dizer o próprio Millôr. O último volume da revista trazia o golpe final ao regime, a crítica mais afiada e, ao mesmo tempo, sutil:


"Quem avisa, amigo é: se o governo continuar deixando que certos jornalistas falem em eleições; se o governo continuar deixando que determinados jornais façam restrições à sua política financeira; se o governo continuar deixando que alguns políticos teimem em manter suas candidaturas; se o governo continuar deixando que algumas pessoas pensem por sua própria cabeça; e sobretudo, se o governo continuar deixando que circule esta revista, com toda sua irreverência e crítica, dentre em breve estaremos caindo numa democracia". (PifPaf, 1964: n° 8)

Obs.: o texto de referência para este post foi trocado, pois o que eu havia previsto não acrescentava muito à minha pesquisa. Por isso, ao invés de ler A Bíblia do Caos, de Millor, li o referido texto de Andréa Queiroz. 



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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Propagandas Aqui e Lá [Filipe Mendonça] #2


Agora que já introduzi o tema, vou analisar o comercial de uma mesma marca em diferentes países (ou continentes). A campanha "Reasons to Believe" (razões para crer, em português), que a Coca-Cola lançou recentemente em comemoração aos seus 125 anos e foi divulgada em todo o mundo tem o objetivo de passar otimismo e dar motivos para as pessoas acreditarem em um futuro melhor através da apresentação de estatísticas. Primeiro vamos analisar a propaganda original, que foi feita pela agência de publicidade da Coca-Cola na Colômbia:

Como se pode ver a propaganda apresenta valores bem universais: amor, paz, família, solidariedade, etc. Como dito, ela é originalmente da Colômbia e acabou virando a campanha mundial da Coca-Cola. Porém, foram feitas algumas modificações em alguns países - umas pequenas, outras marcantes. No Brasil, a propaganda é praticamente a mesma, mas uma das estatísticas apresentadas diz respeito ao meio-ambiente e ao fato do Brasil já reciclar 98% das latinhas de alumínio (nada que chame muito a atenção). Na propaganda que foi veiculada na Índia, na África, e na Venezuela, por outro lado, a diferença é bem mais notável.

Na Índia a trilha sonora da propaganda foi substituída por uma canção do país, e as estatísticas já são mais características do local (diminuição da taxa de analfabetismo, por exemplo). Na África (vídeo abaixo), além de também terem trocado a trilha, o nome da campanha chegou a mudar de "Reasons to Believe" para "A Billion Reasons to Believe in Africa", mostrando estatísticas exclusivamente africanas em contraste com o mundo, ou seja, está mais para uma campanha "enquanto o mundo piora, a África está melhorando" do que a original que mostrava razões para acreditar em um mundo melhor. Assim como na propaganda africana, na Venezuela também ocorre uma valorização do país e não do mundo como um todo.



Mas por quê a campanha se alterou tanto nesses países?

Além de ser um dos países que mais crescem economicamente, a Índia, que tem uma população bem tradicional, busca reconhecimento e expressão de seus valores, e por isso apresenta, de certa forma, um pouco de resistência à "ocidentalização". Isso pode ser visto, por exemplo, pelo crescimento do cinema nacional, que faz mais sucesso que o estrangeiro (diferente do que acontece no Brasil e muitos outros países mais influenciados pelos EUA). Para ser melhor aceita e ter maior relação com o público, a propaganda foi alterada.

O continente africano, por sua história de exploração e ainda recente desigualdade em relação aos outros continentes, é vista (tanto pelos nativos quanto pelos estrangeiros) como uma parte excluída do resto do mundo. Dessa forma, é mais impactante para os africanos se sentirem melhores e rumo à igualdade aos outros países do que ver que o "mundo" - do qual se sentem excluídos - melhorando. A campanha venezuelana, por sua vez, é também uma comemoração aos 200 anos de independência do país, mas deve se levar em conta também que é governada por um presidente populista e que não mantém boas relações econômicas com os EUA, logo, é importante para a Coca-Cola apresentar um discurso que valorize o país tanto para atrair o público quanto para se manter uma boa convivência com o governo.

Esse foi um exemplo de como a cultura de um país pode influenciar o marketing - mesmo sendo de uma grande marca como a Coca-Cola.
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Imagine a city where graffiti wouldn't be illegal [Júlia Amaral] #2


Imagine uma cidade em que todos fossem livres para desenhar e os muros estivessem cheios de cores e frases; uma cidade que parecesse uma festa para a qual todos foram convidados, e não somente agentes do governo e magnatas de grandes empresas. Essa é a cidade ideal de Banksy, o artista urbano (supostamente) britânico, tema de meu post de hoje.


A identidade do artista é desconhecida - pena que não pude comprá-la quando estava sendo ofertada no eBay. Existem reportagens que teriam sido feitas com ele, divagações sobre como ele lucra com a mídia que critica, especulações de que ele tira renda de seu trabalho vendido por agentes, discussões sobre sua rixa com Robbo e até editoriais inspirados na figura mítica de Banksy. Essas curiosidades, porém, foram descobertas com uma rápida pesquisa no Google; não foram meu foco, nem consumiram muito tempo em minha quinzena de estudos sobre arte urbana.


Nas últimas duas semanas, dediquei-me a selecionar trabalhos no livro "Wall and piece" e assisti novamente o filme "Exit through the gift shop", ambos projetos de Banksy. Por meio destes e de seu site, pude observar algumas características do artista britânico: Banksy demonstra ironia frequentemente e apresenta fortes críticas à sociedade capitalista em todas as suas formas (consumismo, elitização da arte, exploração dos recursos naturais, publicidade e propaganda).


Um tema recorrente nas obras e falas do artista é a publicidade. Banksy afirma que as empresas vandalizam a cidade, espalhando seus slogans por todas as partes, incitando o indivíduo a comprar seus produtos. Essas mesmas empresas não entendem graffiti, porque acreditam que nada pode existir a menos que gere lucro. Banksy ainda ironiza dizendo que graffiti só é perigoso para três tipos de pessoas: políticos, publicitários e graffiteiros. A manifestação nos muros é a melhor forma de contra-atacar e responder as empresas, segundo o artista.


Um trecho do livro "Wall and piece" apresenta outra crítica, à elitização da arte. Tomei a liberdade de traduzi-lo livremente: "Ao contrário do que muitos dizem, graffiti não é a forma mais baixa de arte. (...) essa é, na verdade, uma das formas de arte mais honestas disponíveis. Não há elitismo ou hypeness, ela exibe-se nos melhores muros da cidade e niguém é excluido pelo preço da entrada.". A ideia transmitida assemellha-se à proposta por Shepard Fairey, como relatarei em meu próximo post.


Pintura no muro da Palestina

Suposta reação de um senhor às pinturas de Banksy no muro da Palestina

Banksy brinca com o efeito causado por obras modernistas

Quadro afixado por Banksy no Louvre


Arte urbana: a "peste" que se espalha

"Qualquer propaganda em espaço público (...) é sua (...) para pegar, modificar, reutilizar"

Referência bibliográfica:
BANKSY. Wall and piece. Editora Random House UK, 2007, 240 p.
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