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sábado, 23 de junho de 2012

A figura central: Luciano Huck [Laura Marques de Oliveira] #5

Para o post final decidi (com base no segundo encontro presencial) pensar a figura de Luciano Huck no programa e deixar a conclusão para ser apresentada no último encontro presencial. 



O apresentador comanda há mais de dez anos o Caldeirão do Huck nas tardes de sábado. E o programa está extremamente vinculado à ele: vide o nome que o produto leva.



O programa tem fortes traços assistencialistas (prática do populismo) o que pode não ser muito compatível com o posicionamento de Luciano fora das telas. Isso devido à já declarada filiação do apresentador ao PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira, que tem uma tradição de direita. Tal partido segue uma linha política contrária ao populismo, o qual é praticado normalmente por partidos e representantes políticos esquerdistas. PSDB é visto também como um partido elitista, que como já mencionei, se opõe ao ideário populista - fazendo com que haja uma contradição na imagem de Huck.


O apresentador é muitas vezes mencionado como o bom-moço: esse é outro aspecto que gira em torno de sua imagem. A revista Veja do da semana do dia 2 de fevereiro de 2011 foi estampada com uma foto de Luciano Huck e sua mulher com o título: "A reinvenção do bom-mocismo". O apresentador não só é mostrado como bom-moço, mas também se diz um: "Passo o dia pensando em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. TV diverte e a ONG que presido tem um trabalho sério e eficiente em sua missão. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso”. Esse é um trecho de um artigo de Huck que foi publicado no Jornal Folha de São Paulo do dia primeiro de outubro de 2007. O artigo foi um desabafo de Huck após ter seu rolex roubado; no texto ele ao mesmo tempo pede atenção das instituições públicas para a questão da segurança pública e fala do que sentiu ao ser roubado.

Para manter uma proximidade com seu público, além de sempre se dirigir às câmeras num tom de cumplicidade, ele utiliza as redes sociais. Na rede ele comenta sobre assuntos relevantes do momento, indica livros e filmes, conta sobre seu dia-a-dia e pede a opinião dos internautas sobre, por exemplo, que roupa ele deveria usar no programa.







Bibliografia:

<www.futepoca.com.br/2011/04/editora-abril-quer-luciano-huck.html> Acesso em 15/06/2012 

<www.midiacidada.blogspot.com.br/2011/01/o-casal-simbolo-da-elite-brasileira.html Acesso em 20/06/2012> 

<www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u336144.shtml> Acesso em: 27/06/2012

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Lar Doce Lar [Laura Marques de Oliveira] #4


Para este post escolhi analisar o quadro Lar Doce Lar do dia 7 de abril de 2012, que inaugura a 7ª temporada do quadro que reforma casas. Neste episódio os participantes eram João e Maria. O casal vivia numa casa construída por eles mesmos e bastante precária. A história dos dois é o seguinte: João era alcoólatra, e para tirá-lo dessa situação Maria o matriculou em aulas de caratê (uma paixão que o homem tinha), diminuindo ainda mais os recursos já escassos da família. Além disso, a esposa desistiu de seu sonho de ter uma casa boa para realizar o sonho do marido: depois de se formar na arte marcial ele construiu uma academia ao lado da casa para dar aulas gratuitas para as pessoas de sua comunidade. Isso foi o que chamou a atenção da produção do programa: uma mulher altruísta que se doou para o marido e um homem que passa adiante os conhecimentos do esporte que o tirou o alcoolismo.
Ao longo do programa constrói-se essa perspectiva de que essas características os tornavam os mais aptos a receber a reforma de sua casa. Além do fato de que eles - assim como os participantes dos outros quadros analisados – teriam que passar por um desafio para ganhar a reforma, o que serviria de comprovação do merecimento. Assim a noção de mérito no quadro é determinada. Nas palavras de Luciano Huck: “Tem que ser batalhado.”
Nesse quadro o melodrama é muito explorado: close-ups no rosto dos participantes quando se emocionam e músicas de impacto em pontos cruciais (como quando a casa é entregue ou na primeira vez em que João e Maria descobrem que vão ganhar a reforma) do programa são comuns. A presença do apresentador é muito exaltada, na medida em que os encontros entre o casal e ele são sempre envoltos de um tom solene. Também aparece neste quadro o conceito de reality TV que se dá na medida em que Lar Doce Lar mistura ficção e realidade, sem uma preocupação de demarcar os limites entre um e outro.
Quanto ao populismo as considerações são as mesmas que na análise do quadro Agora ou Nunca. Os personagens são aqueles típicos do público do populismo e o assistencialismo está presente.










Quadro Lar Doce Lar analisado disponível no site.


Bibliografia:

FREIRE FILHO, J. Renovações da Filantropia Televisiva: do Assistencialismo Populista à Terapia do Estilo. In: A TV em transição: tendências de programação no Brasil e no mundo. João Freire Filho (org.). Porto Alegre: Sulina, 2009. 

ROCHA, Vilmar, O fascínio do neopopulismo. TOPBOOKS Editora, Rio de Janeiro, 2007.

BARBOSA, Lívia. Igualdade e Meritocracia. Editora FGV, Rio de Janeiro, 2006.
<www.compos.org.br/seer/index.php/e-compos/article/view/387/380> Acesso em: 29/05/2012

<www.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/NASACE.pdf> Acesso em: 29/04/2012



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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Mandando Bem [Laura Marques de Oliveira] #3


Para este post o quadro analisado foi o "Mandando Bem" do dia 21 de abril. No quadro aqueles que desejam participar enviam cartas contando sua história e explicando as razões pelas quais ele (a) deve ir ao programa. Para participar deste quadro é necessário ter algum tipo de talento, como foi o caso de Kayo Victor, um homem de 23 anos que fazia yakisoba para vender na porta de bailes funk para complementar a renda de sua família. Neste quadro percebi que em vários momentos o programa de Luciano Huck foge ao conceito do neopopulismo, para explicar, utilizarei um exemplo que notei assistindo ao “Mandando Bem” do dia 21 de abril.
 O neopopulismo remete à idéia de soberania popular, a qual enaltece o conhecimento do povo (chamada por alguns de “senso comum”) e denuncia o intelectualismo das classes dominantes. No quadro do Caldeirão do Huck analisado para esta postagem o cozinheiro Kayo Victor havia aprendido a fazer seu yakisoba sozinho, colocando nele ingredientes que nem mesmo fazem parte da receita original, ou seja, o fazia a partir do “senso comum”, ele não tinha nenhum conhecimento intelectual ou específico sobre gastronomia. Além disso o participante do quadro também havia aprendido a administrar seu negócio simplesmente com a prática, também com o “sendo comum”. Visto isso, o chef Alex Atala foi convocado, então, pelo programa para ensinar Kayo sobre gastronomia e o participante também recebeu aulas sobre administração. O programa se mostrou contrário à soberania popular na medida em que considerou necessário ensinar à Kayo teorias e práticas próprias do campo do intelectual das classes dominantes. Dessa maneira, o quadro “Mandando Bem” do programa Caldeirão do Huck analisado nesta quinzena não possuía características propriamente neopopulistas. 





Quadro analisado disponível no site.


Referências Bibliográficas:


FREIRE FILHO, J. Renovaçõesda Filantropia Televisiva: do Assistencialismo Populista à Terapia do Estilo. In: A TV em transição: tendências de programação no Brasil e no mundo. João Freire Filho (org.). Porto Alegre: Sulina, 2009.

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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Agora ou Nunca [Laura Marques de Oliveira] #2


Nesta quinzena tive problemas, pois o quadro que gostaria de analisar neste post é o Agora ou Nunca, mas ele não foi veiculado nos últimos dois sábados. Neste quadro as pessoas enviam cartas para o programa e uma delas é escolhida para ir até o set do Caldeirão do Huck para tentar ganhar prêmios. Porém, a premiação só é entregue se o participante conseguir passar pelas provas criadas pela produção do programa. Nas palavras do apresentador Luciano Huck: “As coisas têm que ser batalhadas para serem saboreadas”.
Primeiramente, a “personagem” escolhida para fazer parte do quadro é sempre alguém que esteja passando por grandes dificuldades financeiras e que tenha projetos de vida; como foi o caso do Agora ou Nunca do dia 28 de janeiro, o primeiro que analisei.
No quadro, o participante era Josevaldo Silva, maestro que ensina música para crianças num dos bairros mais pobres da cidade de Conceição do Coité, na Bahia. Ao longo do programa mostra-se que a orquestra de crianças ministrada por Josevaldo precisava de mais recursos. A escolha dessa personagem já aponta a característica neopopulista do quadro. Josevaldo é mostrado como alguém que merece os prêmios por não ser financeiramente abonado. Outro aspecto é o da nobreza da causa que Josevaldo representa, algo que é constantemente lembrado por Luciano Huck. Enquanto o maestro realiza as provas fala-se também sobre as dificuldades que ele passa para concretizar o projeto para as crianças da cidade. Dessa maneira o participante torna-se grande merecedor do prêmio como homem pobre, necessitado (retrato da classe que o neopopulismo prioriza). Durante as provas Luciano torce por Josevaldo e se mostra como aquele que deu tal oportunidade para o homem; aparece, então, o líder carismático, típico dos populismos (neo e tradicional). No quadro a ideia de mérito (Josevaldo “lutou” pelo dinheiro) aparece claramente; como se o maestro tivesse conseguido o dinheiro sozinho. Quando, na verdade, o processo para chegar ao prêmio, não preparou o participante em nenhum sentido para administrar a quantia que recebeu.

Quadro "Agora ou Nunca" analisado:


Acesso em: 13/04/2012
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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Caldeirão do neopopulismo [Laura Marques de Oliveira] #1




Inicialmente me propus a pontuar o conceito de neopopulismo e como ele aparece na produção midiática do nosso país, com enfoque no programa de auditório Caldeirão do Huck. E o fiz a partir da definição de neopopulismo de Ricardo Vélez Rodríguez em seu artigo “O neopopulismo na América do Sul – Aspectos conceituais e estratégicos” e do livro de Vilmar Rocha “O fascínio do neopopulismo.
O populismo (nas suas variações neo e tradicional) é retratado por ambos os autores como uma forma de exercício de poder que emerge do desgaste de democracias representativas, rejeita qualquer tipo de institucionalização do exercício do poder e no qual há um forte denuncismo: os males sociais são sempre colocados em pauta. No populismo o posicionamento político é antielitista, nacionalista, o líder encarna a figura de salvador do povo; trabalha um discurso de que as causas do povo são suas, explora o ressentimento das “massas” contra as elites, seduz o povo a ter uma forte confiança nele, forma uma vinculação direta com o povo - ignorando as instituições que mediariam esta relação - e passa uma imagem de semelhança com o povo que governa.
            A diferença entre o populismo tradicional e seu desdobramento contemporâneo, segundo Vilmar Rocha (1998, p. 18) se dá no fato de que o segundo baseia-se na decomposição das classes sociais, visando, principalmente, as camadas populares mais necessitadas; enquanto o primeiro “baseava-se na integração dos trabalhadores ao mercado e na sua participação política via sindicatos.” (ROCHA, 1998, p. 18).
            Visto isso, o programa Caldeirão do Huck, entre outras produções midiáticas brasileiras, é repleto em posicionamentos neopopulistas. Na medida em que o denuncismo tem forte presença no programa, Luciano Huck encarna o líder salvador carismático do povo que entrega “presentes” ao seu público elevando a condição financeira de seus contemplados, ignora as instituições e cria um vinculo próximo com os telespectadores dando preferência às classes mais baixas (via facebook e twitter também).
            A partir dos próximos posts situarei melhor onde e de que forma essas características aparecem no programa ao analisar alguns quadros – como o Lata Velha e Agora ou Nunca - separadamente.



Fontes bibliográficas:http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/NASACE.pdf Acesso em: 29/04/2012

ROCHA, Vilmar, O fascínio do neopopulismo. TOPBOOKS Editora, Rio de Janeiro, 2007.
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