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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Jornalismo esportivo ou político?[Pedro Alvim] #5


Neste post meu intuito é o de ver a forma como a mídia esportiva trata as informações políticas que tem envolvimento com o esporte, como os escandalos na CBF, as obras para a Copa do Mundo, dentre vários outros acontecimentos que tornam este nosso país tão “especial”.

Uma das principais fontes de escandalo político tem sido Ricardo Teixeira, por isso manterei o foco sobre o antigo mandatário da CBF.

O cartola da CBF, nem sempre amigável, se envolveu em muitas negociações suspeitas ao longo destes 23 anos e quero mostrar como algumas de suas peripécia foram noticiadas ao longo dos anos.

Vou manter a comparação entre as duas redes de canais que venho acompanhando ao longo do trabalho: Globo e ESPN.

Globo:
A relação de Teixeira com a família Marinho sempre foi muito boa, relação essa que refletia em seus notíciarios.Por muito tempo o Sportv sofreu com isto, fazendo notíciarios superficiais sobre vários escandalos que envolviam o soberano do futebol brasileiro.

Com a vinda de Andrew Jennings para o Brasil esta relação entre ambos ficou mais clara.O autor do livro “Jogo Sujo”, que faz dura crítica ao mandatário brasileiro, sequer foi entrevistado na sua passagem pelo Brasil.

Apesar de fundamental para sua queda a Globo também foi fundamental por sua longa estadia.Não sou ingênuo para achar acreditar na total imparcialidade, mas nesse caso, na minha opinião, a Globo acabou sendo conivente diante de tantos acontecimentos.

Esta matéria ilustra exatamente a situação, criticas amenas e um tom de agradecimento desproporcional com o mandato de Ricardo Teixeira:


Espn:

Trata o tema com seriedade, porém não o debatem com profundidade.As melhores abordagens foram feitas por Juca Kfouri, jornalista que também trabalha com a Globo.

Sempre noticiaram as desventuras de Teixeira, porém na maioria das vezes era tratado em segundo plano, pois o futebol não para.Isso acaba sendo o retrato de como a mídia esportiva em geral trata a política, um descaso imenso.

Conclusão:

A mídia no Brasil ainda não trata os cartolas(figuras políticas do âmbito esportivo) com a devida rigides.Apesar de tratar de uma paixão, o esporte movimenta uma quantidade imensa de dinheiro, sendo assim necessário um maior controle, que pode ser feito sim por jornalistas esportivos, pois a profissão vai além de uma quadra ou um campo.

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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Manchete? Slice? [Pedro Alvim] #4


Utilizei esta última quinzena para o acompanhamento da cobertura esportiva de três modalidades distintas: Vôlei e Tênis.Para fazer isso utilizei dois canais distintos, um para cada esporte, sendo o primeiro acompanhado pelo Sportv e o segundo pela ESPN.

Fiz isso para traçar um paralelo entre a cobertura esportiva de ambos quando o assunto não é futebol.Esta última quinzena foi propícia para o desenvolvimento da atividade, visto que ambas as modalidades estavam com competições importantes em andamento

Tendo isso em vista passei a acompanhar as competições dos respectivos esportes, assim como seus programas informativos.A grande decepção foi ver que o canal Sportv não apresenta um programa especializado em vôlei, esporte tido como a segunda paixão do brasileiro, além de ter sido transmitido continuamente pelos canais Sportv por um bom tempo.Já os canais ESPN me surpreenderam positivamente, visto que, além da cobertura em larga escala do torneio de Roland Garros, possuem um programa sobre as principais notícias no mundo do tênis, o “Jornal do Tênis”.

Uma semelhança positiva de ambas as transmissões de jogos foi o fato de apresentarem atletas consagrados em suas transmissões, para assim poderem ter uma maior profundidade, além de um jornalista especializado, que busca passar as informações de maneiras simples e rápidas.Este fator é muito positivo, pois agrada uma grande quantidade de espectadores, visto que não é tão superficial, muito menos tão profundo.




Nalbert, consagrado jogador de vôlei, agora comentarista de vôlei do Sportv











Fernando Meligeni, famoso tenista "brasileiro".









Porém o que os assemelha na transmissão de jogos acaba por os distinguir nos programas esportivos.O Sportv em seus programas diários(visto que não tem um especializado) trata o vôlei de forma muito superficial, com poucos comentários e mostrando os resultados.Já a ESPN busca uma abordagem mais profunda e tática sobre o esporte, assim como fazem no futebol.


No geral acho que as transmissões de esportes tidos como secundários evoluiram muito, ganhando muito espaço na mídia.Com a especialização de alguns profissionais do jornalismo e a adição de ícones do esporte as informações passaram a ser mais confiáveis e didáticas, atraindo mais pessoas para as transmissões esportivas.



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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Um pouco de história [Pedro Alvim] #3


Mesa mais que redonda:

Grande Resenha Facit foi a primeira mesa-redonda de futebol na TV Globo. Era composta por comentaristas que discutiam a atuação e o desempenho dos times cariocas, principalmente nos jogos disputados no Maracanã no final de semana. 


A mesa era formada por Armando Nogueira (que, em seguida, se tornaria diretor da Central Globo de Jornalismo), Nelson Rodrigues, João Saldanha(chegou a ser técnico da seleção brasileira de futebol), José Maria Scassa, Hans Henningsen (o “Marinheiro Sueco”), Vitorino Vieira, o ex-artilheiro Ademir e, como âncora, Luiz Mendes. 

O grande diferencial deste programa, era o fato de que os comentaristas, em sua maioria, não eram imparciais.Nelson Rodrigues defendia o Fluminense, chegando ao ponto de questionar a inteligência do VT: “Se o vídeo diz que foi pênalti, pior para o videoteipe. O videoteipe é burro.”

Era um programa que não seguia os padrões do jornalismo, como a imparcialidade, porém tratava o futebol com paixão, o que acabava por gerar muita polêmica.As discussões entre os integrantes deste mesa-redonda eram sempre muito inflamadas. Segundo Armando Nogueira, ele era o único que tentava impor isenção em seus comentários diante dos demais debatedores, que defendiam seus times de todas as formas.

Luiz Mendes:

O comentárista da palavra fácil, alcunha que ganhou, é uma pessoa de fundamental importância para a história do jornalismo esportivo brasileiro.Participou diretamente da transmissão de 16 Copas do Mundo e foi a mente por trás do Mesa-Redonda mais famoso do Brasil, o “Grande Resenha Facit”.Narrador de extrema qualidade e crônista sem igual, Luiz Mendes foi um icône do jornalismo e uma lenda da rádio.




Nelson Rodrigues:

Por muitos ele é considerado o maior crônista esportivo do Brasil, pois suas obras iam além dos fatos que haviam acontecido dentro de campo.Para ele a descrição do que acontecia no campo era papel dos “idiotas da objetividade”, que eram seres que não conseguiam além dos fatos, ficando assim presos aos acontecimentos banais.

Criou vários personagens ao longo de sua carreira esportiva, porém o mais famoso deles foi o “Sobrenatural de Almeida”, que foi criado para explicar os acontecimentos inexplicáveis do futebol, tais como: vitórias heróicas de times fracos, gols do meio-de-campo e outros acontecimentos nada comuns do futebol.

Ele não precisava assistir ao jogo, saber o esquema tático, ou até mesmo a escalação de ambos os times.Para ele estas coisas eram banais e não precisavam de relatos. Nelson Rodrigues tinha a grande função de traduzir em palavras a maior paixão do brasileiro, o futebol. 



Bibliografia: "Minha gente: Luiz Mendes, o mestre da crônica esportiva do Brasil", Ana Maria Pires
                    "O berro impresso das Manchetes", Nelson Rodrigues
                    "Grande Resenha Facit"
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terça-feira, 15 de maio de 2012

Jornalismo Esportivo [Pedro Alvim] #2


Após estudar as bases do jornalismo esportivo, tinha como objetivo desta quinzena assistir a dois programas com este enfoque, para assim ver como ele é na prática.

O primeiro escolhido foi o Redação Sportv, que é um programa que trata a respeito de notícias esportivas de todos os estados, por meio de um giro de manchetes pelas mais variadas redações esportivas nacionais e  o segundo foi o Linha de passe, programa de debate esportivo, com enfâse em futebol, feito pelos canais ESPN.

Tratarei dos dois separadamente pelo fato de possuírem características bem diferentes.

Redação Sportv:

É um programa esportivo bem diferente dos demais.O elenco primário é composto por um apresentador fixo(André Rizek) e mais dois personagens, que podem, ou não, ser jornalistas.O programa é guiado de forma a tratar dos assuntos dos mais diversos estados, com uma grande enfâse no futebol.Para tal eles estabelecem comunicação com várias  redações(afiliadas da Rede Globo) ao longo do programa.

O que achei interessante é o fato de este programa utilizar um comentarista de cada estado para comentar sobre as notícias que ocorrem naquele local, dando assim maior profundidade às informações.O comentarista local faz um giro pelas manchetes, ou seja, mostra as manchetes dos principais jornais da região, que então são debatidas por ele e pelos outros participantes do programa.



Bate-Bola:

O Bate-Bola, programa dos canais Espn, tem como foco o jornalismo esportivo, porém de forma um pouco mais descontraida.O programa é composto por um apresentador e três comentáristas do próprio canal, que debatem sobre as grandes notícias do dia, porém com uma participação importante do telespectador, que pode mandar mensagens por meio da internet.

O grande diferencial do programa é a voz ativa do espectador, que pode tanto ajudar na discussão, quanto criar uma nova, ajudando assim no desenvolvimento do programa.
É um programa que possui grandes nomes do jornalismo e, por isso, apesar do clima de descontração apresenta informações sempre precisas e análises muito bem feitas.





Ambos os programas possuem a mesma falha(do meu ponto de vista).Eles tratam a respeito dos outros esportes de forma muito superficial, para assim terem mais tempo para o futebol.Esta falta de interesse em outras formas de prática esportiva é um reflexo do grande domínio que o futebol exerce no Brasil, que, de certa forma, o jornalismo esportivo ajuda a perpetuar.
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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Apenas mais um dia [Pedro Alvim] #1


Nesta quinzena eu li o livro "Jornalismo Esportivo", escrito por Paulo Vinícius Coelho, e decidi fazer uma crônica no lugar do post comum.Reuni várias informações presentes no livro e tentei sintetizá-las na crônica a seguir:

                                            
                                                        Apenas mais um dia

Domingo, dia de descanso para grande parte da população, porém não para mim.Tenho de sair cedo de casa, pois a cobertura de um grande clássico começa bem antes do espetáculo em si.Além de um clássico, este jogo tem o adicional de definir uma vaga para a final do campeonato Mineiro, para enfrentar o 
Atlético.

Chego cedo na redação e começo a relacionar quais as prováveis escalações de ambos os times, além de ver quais são as grandes baixas de cada um.Em um clássico o trabalho fica mais díficil, pois qualquer deslize pode ser visto como traço de parcialidade e, imediatamente, rechaçado pelos espectadores.

Não me leve a mal, é uma profissão agradável, pois trabalho com algo que gosto muito, porém requer uma grande perícia com as palavras, um atributo cada vez mais raro.Muitas vezes o jornalista esportivo é tido como palpiteiro e,devo confessar, muitos podem ser enquadrados nessa categoria.O constante aprimoramento é algo que um jornalista deve ter sempre em mente, para que sua forma de ver o jogo não fique defasado.

Com todos os dados levantados eu me dirijo até o estádio, o grande palco em que o espetáculo se desenrola.Lá ouvimos os grandes personagens, pois o que seria o futebol sem as declarações polêmicas de jogadores, técnicos e dirigentes?

Com o jogo próximo eu reúno todas as minhas informações,pois a memória nem sempre é 100% confiável, e me preparo para a transmissão.Saber quais informações são importantes é essencial para um bom comentarista que deverá tê-las sempre a mão.

O jogo já estava para começar e o palco estava armado para a redenção.Os jogadores celestes estavam com seu orgulho ferido, a torcida exigia uma vitória e o comandante precisava,e muito, dela.Davi tinha desferido um duro golpe, mas Golias estava longe de cair.

Pelo menos era isso que se esperava antes do jogo.A vontade de ganhar dos jogadores cruzeirenses se tornou em um nervosismo tremendo, fazendo até jogadores mais experientes, como é o caso do jogador uruguaio Victorino, falharem.O time do América soube fazer o seu jogo e,com ajuda de uma falha gritante, conseguiu abrir o placar.

Um gol do Coelho era tudo que precisava para o sistema tático imposto por Mancini desmoronar.O ataque com uma partida pouco inspirada de Montillo estava uma bagunça, já no sistema defensivo as laterais pareciam avenidas e se não fosse por uma atuação sólida do volante Marcelo Oliveira o Cruzeiro poderia ter levado uma goleada.

Mesmo entregando passes, errando um penâlti muito discutivel e sem conseguir arrumar a defesa o Cruzeiro chegou ao gol de empate, que também foi gerado por uma falha bizonha da defesa americana.

Muitos imaginavam que com o gol o nervosismo celeste iria acabar e, com sorte, eles poderiam começar até a acertar três passes.Não foi isso que aconteceu.Apesar do gol o time cruzeirense continuou mal e, sem substituições por parte do treinador, voltou para o segundo tempo com o mesmo “futebol”.

O Cruzeiro ensaiou uma pressão, mas todo contra-ataque americano gerava perigo, retrato de uma defesa frágil.Mancini demorou muito para mudar o time e, quando finalmente resolveu  
mudar, o fez muito mal.A saída de Marcelo Oliveira foi uma incógnita, visto que era claramente o jogador mais estável em campo, segurando a lateral que Everton se recusava a marcar.Mais tarde tirou Diego Renan, que teve mais uma atuação fraca, para colocar o jovem Élber, porém com sua pouca idade e o pouco tempo de jogo nada pode fazer para mudá-lo.

Com o time celeste nervoso, cansado e totalmente bagunçado o América conseguiu um contra-ataque aos 47 minutos que culminou com a finalização de Fábio Junior, um golpe de miséricordia por parte de um ex-jogador estrelado.

O jogo foi um retrato do Cruzeiro recente, um grupo de jogadores sem raça, com pouca habilidade, que não honram a camisa e não podem sequer ser chamados de time.Mais uma vitória merecida do América, que passou com sobra sobre o “Cruzeiro” e poderá, porque não, sonhar com o título.

Após o jogo escrevo uma matéria a respeito do mesmo e volto para casa.Afinal descanso também é fundamental para uma profissão tão corrida. 
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